Visão cristã
   Súplicas ao Rei

Cristo Salvador,

que sois nosso Deus e Senhor,

Nosso Rei e nosso Pastor,

Conduzi o vosso povo

Pelos caminhos que conduzem à verdadeira Vida!

 

Cristo, Bom Pastor,

que destes a vida por vossas ovelhas,

Guai-nos, para que nada nos falte!

 

Cristo, nosso Redentor,

que fostes proclamado Rei da terra inteira,

Renovai em vós todas as coisas!

 

Cristo, Rei do universo,

que viestes ao mundo para dar testemunho da verdade,

Fazei que a humanidade vos reconheça como Princípio e Fim de todas as coisas.

 

Cristo, nosso Mestre e Modelo,

que nos fizestes sair das trevas para a vossa luz admirável,

Concedei que, hoje e sempre, levemos uma vida santa, pura e irrepreensível, na vossa presença.

 

 

 



Escrito por Dom Henrique às 10h27
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   Ao Rei do universo, o nosso Jesus!

Eterna imagem do Altíssimo,

Sois Deus de Deus, Luz da Luz!

A vós a glória, o poder,

Redentor nosso Jesus!

 

Centro e esperança da História,

Antes dos tempos, sois vós!

Vós imperais sobre tudo,

Reinai também sobre nós!

 

Da raça humana cabeça,

Sois duma Virgem a flor;

Pedra que, vindo do monte,

A terra inteira ocupou.

 

A raça humana, sujeita

A um tirano cruel,

Por vós, quebrou as cadeias

E fez-se herdeira do céu.

 

Legislador, sacerdotes,

Na veste em sangue trazeis

Escrito: “Chefe dos chefes

E Rei supremo dos reis”.

 

Glória ao Deus Pai, ao Espírito

E a vós, ó Cristo Jesus,

Que aos resgatados no sangue

Levais ao Reino da luz!

 

 

 



Escrito por Dom Henrique às 10h15
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   Um antropocentrismo que asfixia

As grandes cidades do mundo já estão se enfeitando para o Natal: as capitais da Europa (o continente que renega suas raízes cristãs e deseja retirar os crucifixos das escolas para não corromper as crianças filhas de ateus), Tóquio, a capital do Japão (que não é cristão e não compreende nada de cristianismo) e assim por diante...

 

Que pena! Roubaram nossas festas cristãs, adulteraram seu sentido, transformaram-nas em pantomimas mundanas, sem nenhum sentido religioso. O Cristo de verdade, o Filho de Deus que se proclama Vida e Sentido da humanidade, desse a nossa sociedade secularizada não quer saber!

 

Que incômodo ver nossas festas sagradas esvaziadas – e esvaziadas pelos próprios cristãos, que já não percebem o sentido sagrado, santo, misterioso e profundo dos eventos de nossa salvação! Que mundo sem graça, que frieza no coração de uma humanidade que somente se ocupa consigo mesma, somente tem a si no centro de tudo...

 

Até mesmo em muitíssimas de nossas celebrações litúrgicas, quanto barulho, quando mexe-mexe, quanta agitação, quanta autocelebração, quanto antropocentrismo do sentir-se bem, do movimentar a galera... E quão pouca ou nenhuma atenção ao mistério santo de Deus, quão quase nada de reverência, de espírito de escuta profunda e adorante, quanta incapacidade de elevar o coração e acolher, com surpresa e gratidão, a vinda graciosa do Senhor!

 

Ah, Advento, ah, Natal, de tanta beleza e tanta frustração para quem lhes conhece o sentido profundo! Até quando? Até quando esse maldito antropocentrismo asfixiante, dentro e fora da Igreja, que nos impede respirar o Eterno? Até quando, Senhor santo e bendito?

 

 

 
Árvore de Natal na China:
os cristãos são perseguidos
e o Natal-de-Ninguém é comemorado...



Escrito por Dom Henrique às 01h31
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   No trabalho desta vida em busca do repouso da vida futura

Dos Sermões de Santo Agostinho (354-430), bispo e doutor da Igreja:

 

Creio que compreendeis, que estas duas mulheres (Marta e Maria), ambas diletas do Senhor, dignas do seu amor, e Suas discípulas, que estas duas mulheres são, por conseguinte, a imagem de duas formas de vida: a vida deste mundo e a vida do mundo futuro, a vida de trabalho e a vida de repouso, a vida nas preocupações e a vida na bem-aventurança, a vida no tempo e a vida eterna.

 

Duas vidas: meditemos mais longamente sobre elas. Consideremos de que é feita esta vida: não me refiro a uma vida censurável, a uma vida de vícios, de impiedades; não, falo de uma vida de trabalho, carregada de provações, de angústias, de tentações, de uma vida que não tem nada de culpável, de uma vida que era efetivamente a de Marta.

 

O mal estava ausente desta casa, tanto em Marta como em Maria; se estivesse presente, a chegada do Senhor tê-lo-ia dissipado. Duas mulheres aí viveram e as duas receberam o Senhor, duas vidas admiráveis, retas, uma feita de trabalho, a outra de repouso. Uma de trabalho, mas livre de perturbações, que são obstáculo à vida entregue à ação; a outra isenta de ociosidade, que é obstáculo à vida contemplativa. Havia nesta casa as duas vidas, mas a fonte era a mesma.

 

A vida de Marta é o nosso mundo; a vida de Maria é o mundo que esperamos. Vivamos este mundo com retidão, para obtermos o outro em plenitude. Que possuímos já dessa vida? Precisamente, neste momento, vivemos de certa maneira essa vida: afastando o trabalho, pondo de parte as preocupações familiares, reuni-vos e escutais. Comportando-vos assim, assemelhais-vos a Maria. Isso torna-se-vos mais fácil do que a mim, que tenho de tomar a palavra. No entanto, o que digo é a Cristo que vou buscá-lo, e este alimento é de Cristo. Porque é o pão comum a todos, e é para isso que vivo em comunhão convosco.

 

 



Escrito por Dom Henrique às 01h14
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   Que rei és tu?

“O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A ele a glória e poder através dos séculos” (Ap 5,12; 1,6). Estas palavras são da Antífona de Entrada da Solenidade de hoje e dão o sentido profundo desta celebração de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo.

 

Uma pergunta que pode vir – deveria vir! – ao nosso coração é esta: Jesus é Rei? Como pode ser Rei, num mundo paganizado, num mundo pós-cristão, num mundo que esqueceu Deus, num mundo que ridiculariza a Igreja por pregar o Evangelho e suas exigências?... Pelo menos do Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo o mundo não quer saber... Como, então, Jesus pode ser Rei de um mundo que não aceita ser o seu reinado?

 

E, no entanto, hoje, no último domingo deste ano litúrgico de 2009, ao final de um ciclo de tempo, voltamo-nos para o Cristo, e o proclamamos Rei: Rei de nossas vidas, Rei da história, Rei do cosmo, Rei do universo. A Igreja canta, neste dia, na sua oração: “Cristo Rei, sois dos séculos Príncipe,/ Soberano e Senhor das nações!/ Ó Juiz, só a vós é devido/ julgar mentes, julgar corações”.

 

 



Escrito por Dom Henrique às 20h10
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   Um Rei frágil como um Cordeiro imolado

O texto do Apocalipse citado no início desta meditação dá o sentido da realeza de Jesus: ele é o Cordeiro que foi imolado. É Rei não porque é prepotente, não porque manda em tudo, até suprimir nossa liberdade e nossa consciência.

 

É Rei porque nos ama, Rei porque se fez um de nós, Rei porque por nós sofreu, morreu e ressuscitou, Rei porque nos dá a vida. Ele é aquele Filho do Homem da primeira leitura: “Foram-lhe dados poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam: seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá”. Com efeito, o reinado de Cristo não tem as características dos reinados do mundo.

 

 

 



Escrito por Dom Henrique às 20h07
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   Traços do nosso Rei

(1) Ele é Rei não porque se distancia de nós, mas precisamente porque se fez “Filho do homem”, solidário conosco em tudo. Ele experimentou nossas pobrezas e limitações; ele caminhou pelas nossas estradas, derramou o nosso suor, angustiou-se com nossas angústias e experimentou tantos dos nossos medos. Ele morreu como nós, de morte humana, tão igual à nossa. Ele reina pela solidariedade.

 

 

(2) Ele é Rei porque nos serviu: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mc 10,45). Serviu com toda a sua existência, serviu dando sempre e em tudo a vida por nós, por amor de nós. Ele reina pelo amor.

 

(3) Ele é Rei porque tudo foi criado pelo Pai “através dele e para ele” (Cl 1,15); tudo caminha para ele e, nele, tudo aparecerá na sua verdade: “Quem é da verdade, ouve a minha voz”. É nele que o mundo será julgado. A televisão, os modismos, os sabichões de plantão podem dizer o que quiserem, ensinarem a verdade que lhes forem conveniente... mas, ao final, somente o que passar pelo teste de cruz do Senhor resistirá. O resto, é resto: não passa de palha. Ele reina pela verdade.

 

(4) Ele é Rei porque é o único que pode garantir nossa vida; pode fazer-nos felizes agora e pode nos dar a vitória sobre a morte por toda a eternidade: “Jesus Cristo é a testemunha fiel e verdadeira, o primeiro a ressuscitar dentre os mortos, o soberano dos reis da terra”. Ele reina pela vida.

 

 

 



Escrito por Dom Henrique às 20h06
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   A Verdade na simplicidade do Rei

Sim, Jesus é Rei: “Eu sou Rei! Para isto nasci, para isto vim ao mundo!” Mas seu Reino nada tem a ver com o triunfalismo dos reinos humanos – de direita ou de esquerda!

 

Nunca nos esqueçamos que aquele que entrou em Jerusalém como Rei, veio num burrico, símbolo de mansidão e serviço. Como coroa teve os espinhos; como cetro, uma cana; como manto, um farrapo escarlate; como trono, a cruz. Se quisermos compreender a realeza de Cristo, é necessário não esquecer isso! A marca e o critério da realeza de Cristo é e será sempre, a cruz!

 

 

 



Escrito por Dom Henrique às 20h04
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   “Não queremos que este reine sobre nós!”

Hoje, assistimos, impressionados, à paganização do mundo, e perguntamos: onde está a realeza do Cristo? – Onde sempre esteve: na cruz: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui”.

 

O Reino de Jesus não é segundo o modelo deste mundo, não se impõe por guardas, pela força, pelas armas: meu Reino não é daqui! É um Reino que vem do mundo do amor e da misericórdia de Deus, não das loucuras megalomaníacas dos seres humanos.

 

E, no entanto, o Reino está no mundo: “Cumpriu-se o tempo; o Reino de Deus está próximo” (Mc 1,15); “Se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então o Reino de Deus já chegou para vós” (Lc 11,20). O Reino que Jesus trouxe deve expandir-se no mundo!

 

Onde ele está? Onde estiverem o amor, a verdade, a piedade, a justiça, a solidariedade, a paz. O Reino do Cristo deve penetrar todos os âmbitos de nossa existência: a economia, as relações comerciais, os mercados financeiros, as relações entre pessoas e povos, nossa vida afetiva, nossa moral pessoal e comunitária.

 

 

 



Escrito por Dom Henrique às 20h02
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   Só a ti, Senhor, a realeza! Tu és o nosso Rei!

Celebrar Jesus Cristo Rei do Universo é proclamar diante do mundo que somente Cristo é o sentido último de tudo e de todos, que somente Cristo é definitivo e absoluto.

 

Proclamá-lo Rei é dizer que não nos submetemos a nada nem a ninguém, a não ser ao Cristo; é afirmar que tudo o mais é relativo e menos importante quando confrontado com o único necessário, que é o Reino que Jesus veio trazer.

 

Num mundo que deseja esvaziar o Evangelho, tornando Jesus alguém inofensivo e insípido, um deus de barro, vazio e sem utilidade, proclamar Jesus como Rei é rejeitar o projeto pagão do mundo atual e proclamar: “O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A ele a glória e poder através dos séculos”. Amém (Ap 5,12; 1,6).

 

 



Escrito por Dom Henrique às 19h59
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   Deseducação democrática

Caro Leitor, como você sabe, estreará em circuito nacional um filme biográfico sobre o Presidente da República. Um detalhe: este filme tem o patrocínio de empresas ligadas ao Governo. O projeto é moralmente espúrio e reprovável. Abaixo um parágrafo da reportagem da Revista Veja sobre o intento de propaganda eleitoral... O Brasil entra numa perigosa estrada, a mesma na qual a Argentina atolou-se desde os anos de Perón...

 

“Lula, o Filho do Brasil”, a cinebiografia que estreará nos cinemas no começo do próximo ano, é o primeiro filme de ficção sobre a vida do presidente. A LC Barreto, responsável pelo projeto, enviará 500 cópias ao circuito comercial – o maior lançamento da história do cinema brasileiro. As centrais sindicais, como a CUT e a Força Sindical, planejam projetar a fita para espectadores das áreas mais pobres do país. Os trabalhadores sindicalizados poderão comprar ingressos subsidiados a 5 reais. As estimativas mais conservadoras indicam que, somente nas salas comerciais, 5 milhões de pessoas assistirão ao longa. É pouco diante do que se seguirá. O DVD do filme será lançado no dia 1º de maio, feriado do trabalhador. Em seguida, a Rede Globo levará a fita ao ar, editada como uma minissérie. Ao final, se essa ambiciosa estratégia de distribuição funcionar, Luiz Inácio, o homem que fez história, dará um salto rumo a Luiz Inácio, o mito. Esse mito paira acima do bem e do mal, mas estará dizendo o que é certo e o que é errado na campanha eleitoral de 2010. Por fazer parte de um projeto de beatificação do personagem com vista a servir de propaganda eleitoral disfarçada de entretenimento na próxima campanha, Lula, o Filho do Brasil parece coisa de marqueteiro.



Escrito por Dom Henrique às 16h11
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   Cordeiros entre lobos

Do Comentário sobre o Evangelho de Lucas, por Santo Ambrósio (340-397), bispo e doutor da Igreja:

 

Ao enviar os Seus discípulos, Jesus diz-lhes: «Envio-vos como cordeiros para o meio de lobos».

 

Trata-se de animais que são inimigos, mas o Bom Pastor não teme o efeito que os lobos possam ter sobre o Seu rebanho; os discípulos não são enviados como presas, mas como distribuidores da graça. Graças à solicitude do Bom Pastor, os lobos nada podem contra os Seus cordeiros. Ele envia-os, pois, para que se cumpra esta palavra: nesse dia, «o lobo e o cordeiro pastarão juntos» (Is 65,25).

 

Aliás, os discípulos são enviados com a indicação de não levarem cajado na mão. E o que é este cajado, senão a insígnia do poder, o instrumento que vinga a dor?

 

Assim, pois, aquilo que este Senhor humilde lhes prescreveu, cumprem-no os Seus discípulos pela prática da humildade. Porque Ele envia-os a semear a fé, não por via da imposição, mas do ensino; não pela exibição da força do seu poder, mas pela exaltação da doutrina da humildade. E pareceu-Lhe bem juntar a humildade à paciência, porque Pedro declara: «Quando O insultavam não insultava e, sofrendo, não ameaçava» (1Pd 2,23).

 

Que é o mesmo que dizer: Sede Meus imitadores, abandonai o gosto pela vingança, respondei à arrogância, não com mau proceder, mas com uma paciência cheia de bondade. Ninguém deve imitar, por sua conta, aquilo que vê outro fazer; a doçura inflige golpes mais duros aos insolentes. E a golpes desses respondeu o Senhor dizendo: «Se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a outra» (Mt 5,39).

 

 



Escrito por Dom Henrique às 00h59
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   Leituras para o Domingo de Cristo Rei - B

Leitura da Profecia de Daniel (Dn 7,13-14)

13“Continuei insistindo na visão noturna, e eis que, entre as nuvens do céu, vinha um como filho de homem, aproximando-se do Ancião de muitos dias, e foi conduzido à sua presença.

14Foram-lhe dados poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam; seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá”.

 

 

Salmo responsorial (Sl 92)

Deus é Rei e se vestiu de majestade,

glória ao Senhor!

 

Deus é Rei e se vestiu de majestade,

revestiu-se de poder e de esplendor!

 

Vós firmastes o universo inabalável,

vós firmastes vosso trono desde a origem,

desde sempre, ó Senhor, vós existis!

 

Verdadeiros são os vossos testemunhos,

refulge a santidade em vossa casa,

pelos séculos dos séculos, Senhor!

 

 

Leitura do Livro do Apocalipse (Ap 1,5-8)

5Jesus Cristo é a testemunha fiel, o primeiro a ressuscitar dentre os mortos, o soberano dos reis da terra. A Jesus, que nos ama, que por seu sangue nos libertou dos nossos pecados 6e que fez de nós um reino, sacerdotes para seu Deus e Pai, a ele a glória e o poder, em eternidade. Amém.

7Olhai! Ele vem com as nuvens, e todos os olhos o verão, também aqueles que o traspassaram. Todas as tribos da terra baterão no peito por causa dele. Sim. Amém!

8“Eu sou o Alfa e o Ômega”, diz o Senhor Deus, “aquele que é, que era e que vem, o Todo-poderoso”.

 

 

Aleluia, aleluia, aleluia! (Mc 11,9.10)

É bendito aquele que vem vindo,

que vem vindo em nome do Senhor,

e o Reino que vem, seja bendito,

ao que vem e a seu Reino, o louvor!

 

 

Evangelho de Jesus Cristo segundo João (Jo 18,33b-37)

Naquele tempo, 33bPilatos chamou Jesus e perguntou-lhe: “Tu és o rei dos judeus?” 34Jesus respondeu: “Estás dizendo isto por ti mesmo ou outros te disseram isto de mim?” 35Pilatos falou: “Por acaso sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste?”

36Jesus respondeu: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui”.

37Pilatos disse a Jesus: “Então tu és rei?”

Jesus respondeu: “Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”.



Escrito por Dom Henrique às 00h36
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   Roteiro bíblico-catequético para o Domingo de Cristo Rei - C

1. Estudo da primeira leitura:

è Na primeira metade do século IIaC, o povo de Israel sofreu terrível perseguição por parte do tirano de plantão, o rei grego Antíoco IV Epífanes. Proibiu-se o povo de Israel de praticar sua religião, de servir ao Senhor. Foi enorme o número dos mártires. Para compreender esta triste época é preciso ler os dois livros dos Macabeus. Pois bem, nesta época foi escrito o Livro de Daniel, para consolar os judeus desolados pela cruel perseguição.

è Na leitura de hoje, para fazer frente aos reinos deste mundo e ao tremendo reino de Antíoco Epífanes, a Palavra santa de Deus anuncia um outro Reino, potente e eterno...

è Leia Dn 7,1-8. Aí se falam de quatro bestas terríveis, significando quatro reinos humanos: babilônio, medo, persa, grego... São reinos que parecem tão fortes e, no entanto, desabam...

è Retome a leitura da Missa: (a) no meio da noite da história humana, Daniel vê Alguém vindo sobre as nuvens, isto é, vindo do mundo divino, alguém que é divino; (b) apesar de divino, esse misterioso Alguém não se identifica totalmente com o Senhor Deus de Israel, o Ancião que está sentado no trono; (c) esse Filho do Homem (= homem) é algo humano, mas é mais que homem: é “um como filho de homem”... algo humano, algo divino... (d) ele, sim, recebe o verdadeiro reinado, que vem do Ancião sentado no trono: é um reinado eterno e universal! Leia Dn 7,9-14.

è Para os cristãos esta profecia é clara: o Ancião é o Deus de Israel a quem Jesus chamava Pai; o Filho do Homem é o próprio Jesus, que nos evangelhos se autodenominava assim. Aliás “filho do homem” podia significar somente “homem”, como em Ezequiel ou, ao contrário, esse personagem misterioso de Daniel. Jesus não explica em que sentido se chama “filho do homem”. Mas, diante de Caifás, ele se revela. Leia o impressionante texto de Mt 26,63-64! Jesus é o Filho do Homem glorioso; seu Reino não vem pela lógica humana dos grandes reinos deste mundo, mas pela cruz! Leia Ap 5,6-14. Aí aparece claramente toda a força de Cristo, toda a sua realeza, fundada no amor capaz de dar a vida para tirar o pecado do mundo! Ele não é uma fera gigantesca como os reinos do mundo, mas um humilde cordeiro imolado, mas de pé, vitorioso...

 

2. Estudo da segunda leitura:

è Note como toda esta leitura é uma exaltação, uma glorificação ao nosso bendito Salvador Jesus Cristo!

è Ele é a Testemunha Fiel porque cumpriu a missão que o Pai lhe confiou e dele deu testemunho até a morte. Leia Jo 3,31-33; 1Tm 6,13-14; Ap 3,14.

è Ele é o Primogênito dentre os mortos porque pela sua vitória sobre a morte na ressurreição todos nós ressuscitaremos: ele ressuscitou como primícias da nossa ressurreição. Leia 1Cor 15,20.

è Ele é o Soberano dos reis da terra porque tendo morrido por nós em obediência ao Pai, do Pai recebeu no Espírito todo o poder. Leia Mt 28,18; 1Cor 15,25-27.

è Observe que toda esta glória do Filho eterno feito “Filho do Homem” é porque ele se humilhou e nos amou até a cruz para nos libertar de nossos pecados, de nossa vida sem sentido, destinada à morte! Releia os vv. 5-6. Com seu amor infinito, ele não somente entrou na glória, mas nos fez participantes do seu reinado e do seu sacerdócio: seu reinado é servir à salvação da humanidade; seu sacerdócio é interceder por todos!

è Observe também os atributos divinos do Senhor Jesus morto e ressuscitado: (a) ele vem sobre as nuvens porque é divino; (b) todos haver’`ao de estar diante dele, até mesmo seus inimigos de todos os tempos, que lhe traspassam o coração; (c) sendo divino, ele é Princípio e Fim (alfa = “a” e ômega = “z”) de todas as coisas e da história humana, de modo que tudo e todos caminham para Ele, quer o reconheçam quer não. Ele, como o Pai, é o que é, o que era e o que virá como surpresa e glória para toda a humanidade!

 

 

3. Estudo para o Evangelho:

è Releia o texto. Observe que, antes de tudo, chama atenção que a afirmação da realeza de Jesus dá-se no contexto de sua paixão. É diante do juiz, do representante do poder romano, que o Senhor afirmará sua realeza. Pense bem: a realeza do Senhor coloca-se numa posição totalmente diversa do pensamento humano, pois ele reina servindo, reina amando, reina dando a vida, reina pela cruz.

è Veja que Jesus afirma ser rei (v. 37); mas afirma claramente: “Meu reino não é deste mundo”. Por quê? Porque vem do Pai, porque seu modo de acontecer não é segundo a dinâmica dos reinos deste mundo, porque sua plenitude dar-se-á para além da história humana e consumar-se-á na glória eterna.

è Procure rezar nestes dias, humildemente: Jesus, lembra de mim quando vieres com teu Reino!”

 

4. O que diz a Igreja sobre o Reino de Cristo? Eis as palavras do Catecismo:

668.    "Cristo morreu e reviveu para ser o Senhor dos mortos e dos vivos" (Rm 14,9). A Ascensão de Cristo ao Céu significa sua participação, em sua humanidade, no poder e na autoridade do próprio Deus. Jesus Cristo é Senhor: possui todo poder nos céus e na terra. Está "acima de toda autoridade, poder, potentado e soberania", pois o Pai "tudo submeteu a seus pés (Ef 1,20-22). Cristo é o Senhor do cosmo e da história. Nele, a história do homem e mesmo toda a criação encontram sua "recapitulação"' sua consumação transcendente.

669.    Como Senhor, Cristo é também a Cabeça da Igreja, que é seu Corpo. Elevado ao céu e glorificado, tendo assim cumprido plenamente sua missão, Ele permanece na terra em sua Igreja. O Reino de Cristo já está misteriosamente presente na Igreja", germe e início deste Reino na terra.

670.    Desde a Ascensão, o desígnio de Deus entrou em sua consumação. Já estamos na "última hora" (1Jo 2,18)". O Reino de Cristo já manifesta sua presença pelos sinais milagrosos que acompanham seu anúncio pela Igreja".

671.    Já presente em sua Igreja, o Reino de Cristo ainda não está consumado "com poder e grande glória" (Lc 21,17) pelo advento do Rei na terra. Esse Reino é ainda atacado pelos poderes maus, embora estes já tenham sido vencidos em suas bases pela Páscoa de Cristo. Enquanto tudo não for submetido a ele, "enquanto não houver novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça, a Igreja peregrina leva consigo em seus sacramentos e em suas instituições, que pertencem à idade presente, a figura deste mundo que passa, e ela mesma vive entre as criaturas que gemem e sofrem como que dores de parto até o presente e aguardam a manifestação dos filhos de Deus" Por este motivo os cristãos oram, sobretudo na Eucaristia, para apressar a volta de Cristo, dizendo-lhe: "Vem, Senhor" (Ap 22,20).

672.    Cristo afirmou antes de sua Ascensão que ainda não chegara a hora do estabelecimento glorioso do Reino messiânico esperado por Israel... O tempo presente é o tempo do Espírito e do testemunho, mas é também um tempo ainda marcado pela "tristeza" e pela provação do mal, que não poupa a Igreja e inaugura os combates dos últimos dias. E um tempo de expectativa e de vigília.

673.    A partir da Ascensão, o advento de Cristo na glória é iminente, embora não nos "caiba conhecer os tempos e os momentos que o Pai fixou com sua própria autoridade" (At 1,7). Este acontecimento escatológico pode ocorrer a qualquer momento, ainda que estejam "retidos" tanto ele como a provação final que há de precedê-lo.

675.    Antes do advento de Cristo, a Igreja deve passar por uma provação final que abalar a fé de muitos crentes. A perseguição que acompanha a peregrinação dela na terra" desvendará o "mistério de iniquidade" sob a forma de uma impostura religiosa que há de trazer aos homens uma solução aparente a seus problemas, à custa da apostasia da verdade. A impostura religiosa suprema é a do Anticristo, isto é, a de um pseudo-messianismo em que o homem glorifica a si mesmo em lugar de Deus e de seu Messias que veio na carne.

676.    Esta impostura anticrística já se esboça no mundo toda vez que se pretende realizar na história a esperança messiânica que só pode realiza-se para além dela, por meio do juízo escatológico.

677.    A Igreja só entrará na glória do Reino por meio desta derradeira Páscoa, em que seguirá seu Senhor em sua Morte e Ressurreição. Portanto, o Reino não se realizará por um triunfo histórico da Igreja segundo um progresso ascendente, mas por uma vitória de Deus sobre o desencadeamento último do mal, que fará sua Esposa descer do Céu. O triunfo de Deus sobre a revolta do mal assumirá a forma do Juízo Final depois do derradeiro abalo cósmico deste mundo que passa.



Escrito por Dom Henrique às 00h33
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   Ele, o Libertador da Morte, o nosso Salvador!

Das Homilias do Papa Bento XVI:

 

No Credo proclamamos, a propósito do caminho de Cristo: «Desceu à mansão dos mortos». A liturgia aplica à Descida de Jesus à noite da morte as palavras do salmo 24/23: «Ó portas, levantai os vossos umbrais! Elevai-vos, pórticos eternos!»

 

A porta da morte está fechada: ninguém pode passar através dela. Não há chave para essa porta de ferro. No entanto, Cristo tem a chave. A Sua cruz abre de par em par todas as portas invioláveis da morte, que deixaram de ser inexpugnáveis.

 

A Sua cruz, a radicalidade do Seu amor, é a chave que abre essa porta. O amor Daquele que, sendo Deus, Se fez homem para poder morrer tem força para abrir a porta. É um amor mais forte do que a morte.

 

Os ícones pascais da Igreja do Oriente mostram como Cristo entra no mundo dos mortos. As Suas vestes são luminosas, porque Deus é luz. «A noite, para Ti, é brilhante como o dia» (Sl 139/138,12). Jesus entra no mundo dos mortos com os estigmas; as Suas chagas, os Seus sofrimentos tornaram-se poderosos: são amor capaz de vencer a morte. Jesus encontra Adão e todos os homens que esperam nas sombras da morte. Vendo-os, quase podemos ouvir a oração de Jonas: «Clamei a Ti do meio da morada dos mortos e Tu ouviste a minha voz» (Jn 2,3).

 

Pela encarnação, o Filho de Deus fez-Se um com os seres humanos, com Adão. Mas só quando realizou o supremo ato de amor, descendo da noite da morte, levou a bom termo o caminho da encarnação. Pela Sua morte, tomou pela mão Adão e toda a humanidade que esperava e guiou-os para a luz.

 

 

 



Escrito por Dom Henrique às 00h26
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