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O(s) Anticristo(s)
Caro Leitor meu, gostaria de refletir com você sobre o profundo texto da Primeira Carta de São João 2,18-29. Farei aos poucos, durante o dia de hoje, à medida do meu tempo: 18Filhinhos, esta é a última hora. Ouvistes dizer que o Anticristo virá. Com efeito, muitos anticristos já apareceram. Por isso, sabemos que chegou a última hora. O Novo Testamento refere-se várias vezes ao “final dos tempos”, aos “últimos tempos” e à “última hora”. É preciso cuidado no modo de compreender tais expressões. “Últimos tempos” são aqueles em que estamos: o tempo definitivo, no qual o Maligno já foi vencido pela morte e ressurreição do Senhor, o tempo novo, da nova e eterna aliança, o tempo no qual já não se espera uma nova revelação porque na Sua Palavra, no Seu Verbo eterno, o Pai já nos disse tudo. Tudo agora é contínua explicação, explicitação dessa Palavra eterna que é Jesus. A vitória de Cristo é definitiva e irremediável, ainda que não se manifeste de modo pleno na nossa história. Cristo já é vencedor e isto será claramente manifestado a seu tempo! Isso, contudo, não nega que haverá um Dia final, o Dia do Cristo, o Dia em que a história entrará na Glória e o tempo na Eternidade; Dia em que toda esta criação será transfigurada. Aqui, neste texto de João, a “última hora” refere-se a esse tempo entre a partida do Senhor e Sua Vinda definitiva: tempo último porque tempo de decisão final, tempo da definitiva aliança, tempo em que já nos encontramos, tempos que estamos vivendo agora. Observe que no contexto dessa “última hora”, João fala no Anticristo e nos anticristos. Que significa isso? Primeiro: anticristo é tudo aquilo e todo aquele – sistema ou pessoa – que se coloca contra o Cristo explícita ou veladamente. Exemplos: Hitler, Stálin, Mao Tse Tung foram verdadeiros anticristos; Edir Macedo e outros como ele, que usando o nome do Senhor deformam gravemente e destroem por dentro, com falsidade, mentira e engano demoníaco o sentido do cristianismo, levando ao erro e à fraude tantos incautos. Anticristo é o sistema de ideias que veicula um ateísmo prático, um materialismo que desumaniza, um consumismo que pensa satisfazer a existência com bens materiais. Anticristo, esta ilusão de pensar que o homem pode fazer sua própria moralzinha, do seu modo e à sua medida. Anticristo, muito do que fazem os meios de comunicação, espalhando a ideia de um mundo sem Deus e propagando uma cultura na qual Deus já não é levado em conta.. Veja, então que a ideia de anticristo é bastante ampla. Tudo isto são os anticristos – no plural. Eles já vieram, estão entre nós e ainda virão muitos! Mas, há também o Anticristo – no singular e com maiúscula. Deste Anticristo misterioso o Catecismo fala com clareza e de modo realmente impressionante e muito concreto: “675. Antes da Vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma prova final, que abalará a fé de numerosos crentes. A perseguição, que acompanha a sua peregrinação na Terra, porá a descoberto o «mistério da iniquidade», sob a forma duma impostura religiosa, que trará aos homens uma solução aparente para os seus problemas, à custa da apostasia da verdade. A suprema impostura religiosa é a do Anticristo, isto é, dum pseudomessianismo em que o homem se glorifica a si mesmo, substituindo-se a Deus e ao Messias Encarnado. 676. Esta impostura anticrística já se esboça no mundo, sempre que se pretende realizar na história a esperança messiânica, que não pode consumar-se senão para além dela, através do juízo escatológico. A Igreja rejeitou esta falsificação do Reino futuro, mesmo na sua forma mitigada, sob o nome de milenarismo, e principalmente sob a forma política dum messianismo secularizado, «intrinsecamente perverso». 677. A Igreja não entrará na glória do Reino senão através dessa última Páscoa, em que seguirá o Senhor na sua morte e ressurreição. O Reino não se consumará, pois, por um triunfo histórico da Igreja segundo um progresso ascendente, mas por uma vitória de Deus sobre o último desencadear do mal, que fará descer do céu a sua Esposa. O triunfo de Deus sobre a revolta do mal tomará a forma de Juízo final, após o último abalo cósmico deste mundo passageiro”. Assim, os anticristos nos colocam de sobreaviso para o Anticristo: estão a serviço dele e são como que antecipações dele. Observe que a fé da Igreja aponta para um dado impressionante: o Reino não virá pelo triunfo histórico da Igreja! Ela será duramente provada, muitos desfalecerão na fé. Quando tudo parecer perdido, Deus manifestará Seu triunfo salvador! É Ele, não nós quem salva! Isto nos amedronta, porque temos a tendência de colocar a confiança em nós e não no Senhor – por mais que digamos que cremos Nele e Nele esperamos! Mas, o texto de João chama atenção para os anticristos de agora... É sobre estes que devo refletir com você... (Continuarei mais tarde...) 
Escrito por Dom Henrique às 09h08
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O Espírito: Fogo que revela!
Falando do Espírito que Ele, Ressuscitado, nos dará nos sacramentos, Jesus afirma: “Quando vier, Ele demonstrará ao mundo em que consistem o pecado, a justiça e o julgamento: o pecado, porque não acreditaram em Mim; a justiça, porque vou para o Pai, de modo que não mais Me vereis; e o julgamento, porque o Chefe deste mundo já está condenado”. Que significam, precisamente, tais palavras? Antes, permita-me, meu Leitor, utilizar uma imagem que meus alunos, nos tempos em que era professor de teologia, conheciam bem – e riam de mim: Jesus é Aquele glorificado que é todo fogo, que tem os olhos de fogo (cf. Ap 1,14s). O Espírito que agora diviniza a humanidade glorificada de Jesus é esse Fogo devorador. Que faz o fogo? Ilumina, purifica, transfigura. É isto que Jesus afirma que o Espírito fará em nós e no mundo: Ele iluminará o que somos: nós e o mundo todo veremos o que foi verdade e o que foi mentira em nós e na nossa existência, o que foi precioso como o metal ou inconsistente como a palha. Ele também purificará: o que foi impureza, o que foi pecado, fechamento para Deus e para os outros, será queimado como palha seca. Ele transfigurará: o que foi precioso (o amor a Deus e aos irmãos), tornando-o resplandecente, como o ferro impregnado pelo fogo. Em outras palavras: Ele glorificará para sempre. Assim, meu Leitor, note que o julgamento será feito pelo Cristo no Espírito! É a isto que Nosso Senhor Se refere nesta passagem: no final dos tempos, quando Ele Se manifestar em glória, isto é, na plenitude do Espírito Santo, e Seus olhos de Fogo se projetarem em toda a criação e em toda a história humana (atenção, que estou utilizando uma imagem para que você compreenda melhor!), então, no Espírito que é fogo, tudo será “demonstrado”, isto é, revelado na sua verdade ou, numa tradução ainda mais fiel, “arguido”! Vejamos os três elementos da afirmação de Jesus: (1) Quanto ao pecado: na Sua vinda final, o Espírito vai demonstrar – permita-me a expressão grosseira: vai passar na cara do mundo, vai fazer o mundo (“mundo”, aqui significa a humanidade entregue ao pecado) compreender sem apelação - que ele pecou porque não creu em Jesus, o Cristo enviado pelo Pai, mas fechou-se para Ele e, assim, perdeu a vida que o Pai ofereceu. Esta cultura que agora se fecha para o Senhor verá claramente que, por isso, caiu na Morte! (2) Fará também o mundo compreender a justiça do Pai, que deu razão ao Seu Filho Jesus, ressuscitando-O e glorificando-O. Ressuscitado, Jesus não mais pode ser visto e experimentado pelo mundo, que O tem como o personagem do passado... Agora, no final de tudo, a glória do Senhor, isto é, o fulgor do Seu Espírito, aparecerá a toda a criação, sem véus nem ambiguidades. Todos experimentarão a fidelidade do Pai, que não abandonou o Seu Filho, mas com toda a justiça O glorificou e O constituiu Senhor e Cristo! Na glória de Cristo o Espírito fará resplandecer a justiça de Deus! (3) Finalmente, o Espírito, queimando para sempre o pecado do mundo como palha inútil e tudo de bom acrisolando como fogo devorador, revelará, de modo inapelável, a derrota, isto é, o julgamento de Satanás e de todos os seus: o Príncipe deste mundo está julgado e derrotado. O Mal não terá nunca a última palavra, não levará jamais a melhor! O Príncipe deste mundo está julgado! Mas tal situação somente naquele então aparecerá com toda clareza na luz do Espírito e toda a ambiguidade da história e da criação desaparecerá. Só mais uma coisa. Isto que o Espírito revelará no Final, já nos revela agora, no íntimo do coração de cada batizado que se deixa guiar realmente por Ele: (10 É o Espírito quem nos faz crer, dando-nos a certeza de que Jesus é o Messias prometido, nosso Salvador, pois ninguém pode proclamar com certeza que Jesus é o Senhor a não ser no Espírito (cf. 1Cor 12,3). (2) É também o Espírito quem nos faz experimentar realmente Jesus vivo e ressuscitado como Senhor. (3) Finalmente, é o Espírito quem nos mostra o nosso pecado e nos dá a compunção para dele nos arrependermos, julgando em nós e destruindo o Príncipe deste mundo, desmascarando-o nas várias ocasiões da vida. Sem o Espírito, tomaríamos o mal por bem e o bem por mal; sem o Espírito, pensaríamos que o Maligno é forte e triunfa no mundo, na Igreja e em nós! Eis, portanto, a profunda verdade e verdadeira beleza das palavras do nosso Salvador! 
Escrito por Dom Henrique às 00h53
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Palavras difíceis, mas verdadeiras...
Eu vos digo a verdade: “É bom para vós que Eu parta; se Eu não for, não virá até vós o Paráclito; mas, se Eu Me for, Eu vo-lo mandarei. E quando vier, Ele demonstrará ao mundo em que consistem o pecado, a justiça e o julgamento: o pecado, porque não acreditaram em Mim; a justiça, porque vou para o Pai, de modo que não mais Me vereis; e o julgamento, porque o Chefe deste mundo já está condenado” (Jo 16,7-11). Que significam estas palavras de Jesus no Evangelho de hoje? São daquelas que escutamos, não compreendemos direito e, geralmente, deixamos para lá. No entanto, as palavras do Senhor são sempre densas de sentido e devemos procurar compreendê-las. Uma primeira afirmação: “Eu vos digo a verdade: ‘É bom para vós que Eu parta; se Eu não for, não virá até vós o Paráclito; mas, se Eu Me for, Eu vo-lo mandarei’”. Por que é bom que Jesus Se vá? Por que é melhor que venha o Espírito Santo, o Paráclito, Defensor, Advogado? Veja, meu caro Leitor. Jesus é o Filho eterno do Pai feito homem. Ele é um Eu divino (aquele da segunda Pessoa da Trindade) numa natureza humana, isto é com corpo e alma verdadeiramente humanos. Imagine Jesus no nosso meio: nós poderíamos vê-Lo, tocá-Lo, ouvi-Lo... Mas, Jesus é Jesus e nós somos nós... Jesus jamais poderia estar em nós e nós Nele! Jesus não é nem pode ser Deus-em-nós; Ele é Deus-conosco, em meio a nós, não Deus dentro de nós! Jesus morreu; Seus discípulos continuaram vivos; Jesus ressuscitou; Seus discípulos continuaram nesta vida mortal. Quando Jesus estava aqui, conosco, nossa união com Ele poderia ser somente de sentimentos: admiração, obediência, amor... Mas, nunca Ele estaria realmente em nós e nós Nele, nunca Sua vida divina poderia ser nossa, mesmo porque Sua natureza humana igual à nossa era simplesmente humana... Na cruz Jesus esvaziou-Se totalmente de Si; Sua vida humana acabou-se para sempre: o cérebro morreu, o coração parou, Sua vida psicofísica esvaiu-se... Agora, na morte, totalmente pobre – o Pobre por excelência -, entregue nas mãos do Pai, Este, o Deus fidelíssimo, ressuscitou o Seu Filho feito homem dos mortos, derramando sobre Ele o Espírito Santo em plenitude, de um modo totalmente novo. Como assim? Jesus agora não tem mais, no Seu corpo e na Sua alma humanos, uma vida como antes. Ele agora vive no Espírito Santo: a vida que vivifica Seu corpo e Sua alma não é mais o que os gregos chamam de bios (= vida biológica) ou psiché (= vida racional simplesmente humana), mas zoé (= vida plena, divina, vida que só Deus pode conceder como participação na Sua própria vida; uma vida que não é deste mundo). O corpo humano de Jesus e Sua alma humana não mais têm uma vida como a nossa! A humanidade santíssima de Jesus agora é plena de Espírito Santo, Espírito que o vivifica totalmente. Jesus, como homem, agora vive do Espírito, vive no Espírito Santo! Compreenda: é a humanidade de Jesus (igual à nossa) que foi totalmente divinizada, plenificada de vida divina pela ressurreição, a ponto de São Paulo exclamar, referindo-se ao Senhor ressuscitado: “O Senhor é Espírito” (2Cor 3,17). Isto mesmo: o Senhor Jesus agora é pleno do Santo Espírito, Espírito que é a plenitude da própria divindade. Por isso em Cl 2,9, São Paulo afirma ousadamente que “Nele habita corporalmente a plenitude da divindade”, isto é, na humanidade do Ressuscitado habita a plenitude do Espírito Santo. Mas, vamos ao nosso ponto: agora pleno de vida divina na Sua humanidade igual à nossa, Jesus pode nos comunicar o Seu Espírito Santo, Espírito que Ele recebeu do Pai na Sua humanidade pela ressurreição! Como no-Lo comunica? Pelos sacramentos, sobretudo no Batismo, na Crisma e na Eucaristia! Agora, a vida de Jesus está em nós e nós, porque temos o Seu Espírito, somos uma só coisa com Ele! Estamos enxertados Nele como os ramos na videira; estamos incorporados Nele como os membros no único corpo! E a seiva que une o tronco aos ramos, e a vida que une a cabeça aos membros do corpo é o Espírito Santo! Se Ele não Se fosse, se não tivesse Se esvaziado na cruz para que o Pai O preenchesse com o Espírito na ressurreição, Ele não teria como nos dá Sua vida, isto é, Seu Espírito! Agora sim, nós temos em nós a vida divina, nós fomos santificados, nós poderemos ressuscitar no corpo e na alma (o corpo, no Último Dia e a alma, transfigurada, na hora da morte: de alma psíquica à alma transfigurada em glória pelo Espírito). Assim, a nossa salvação, a nossa ressurreição, é consequência do Espírito do Ressuscitado habitar em nós; Espírito que Ele nos dá nos sacramentos da Igreja, por Ele instituídos. Basta recordar o Seu diálogo com Nicodemos e o discurso sobre o pão da vida.... Pense nisto... Mais adiante, explico a segunda parte da afirmação de Jesus... 
Escrito por Dom Henrique às 00h02
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A herança do ministro
Hoje, Festa de São Matias Apóstolo, no Ofício Divino, a Igreja nos faz rezar como antífona primeira das três antífonas dos salmos das Vésperas os seguintes dizeres de Jesus, tirados do Evangelho de São Lucas: “Vós ficastes a Meu lado quando veio a provação. Aleluia” (cf. Lc 22,28). É por isso mesmo que nunca devemos nos cansar de saborear a santa Liturgia e nunca deveríamos alterar absolutamente nada dos ritos, gestos e palavras prescritas na norma litúrgica: porque são fonte inexaurível de profunda teologia espiritual, que alimenta nossa vida com sólido alimento! Meditemos, meu Leitor, sobre a antífona acima. É dita no contexto de uma festa de Apóstolo, aqueles Doze primeiro que são a fonte de toda ministerialidade na Igreja, aqueles de quem decorre o Ministério episcopal, sucessor do Ministério apostólico. Aí, nesta singela frase do Senhor, está a essência de ser Bispo na Igreja (e também do sacerdócio dos presbíteros, cooperadores da Ordem dos Bispos). O que faz um bom Bispo? Seriam belas homilias, projetos sociais e pastorais, construções e numerosas ereções de paróquias? Não! Nada disso é a essência do ministério sacerdotal do Bispo e do Presbítero! O Senhor não nos chamou primeiramente a nenhuma dessas atividades, se bem elas façam também parte do nosso ministério. A que nos chamou? São Marcos já havia dito: “Escolheu os que Ele quis e os constituiu como Doze para que ficassem com Ele, para enviá-los a pregar e para expulsar os demônios” (3,13s). Escolheu-nos para que ficássemos com Ele! Com Ele na vida, em todos os momentos da nossa existência: na alegria, na tristeza, na exultação, na luz, na treva, no coração repleto e na carência... Com Ele, sempre com Ele! Agora, nesta antífona, Ele sublinha, agradecido, a prova do verdadeiro ministro Seu, daquele que foi fiel: “Ficastes ao Meu lado quando veio a provação”. Qual provação? As da Igreja, as nossas, pessoais, que Ele faz Suas. O verdadeiro sacerdote (Bispo ou presbítero, que têm a participação no sacerdócio ministerial do Cristo Cabeça) é aquele que vive em tal união com o Senhor, que tudo na sua vida se torna participação na vida Dele. Não se pode ser Bispo de verdade, padre de verdade sem esta cumplicidade, esta simbiose com o Senhor, a ponto de quase não mais se distinguir o que é do Salvador e o que é do Seu servo. Não há como negar que vivemos tempos de crise e de baixíssimo nível espiritual na Igreja. Para que negar? Para que alimentar um triunfalismo mentiroso e, por vezes, hipócrita? Vemos, com desgosto e decepção, em muitos, um “ativismo pastoral”, uma ânsia de fazer, de construir, de produzir. Mas, nossa verdadeira riqueza é a amizade com Cristo, é saber colocar-se aos Seus pés como Maria, é “perder tempo” com Ele na oração, olhando-O, encantando-nos com Ele. Dirão que isso é angelismo, individualismo, fuga, alienação. Como tudo isto é bobagem! Como todos esses conceitos de encomenda e ideologicamente motivados não passam de rótulos gastos, que só continuam a iludir os tolos! Não! O que o Senhor espera de nós, essencialmente, Ele mesmo disse: que fiquemos com Ele e que tenhamos a coragem de permanecer com Ele nas provações interiores e exteriores da vida. Provação... Pode ser uma incompreensão, um fracasso, pode ser o desânimo antes as dificuldades e as realidade que não compreendemos, pode ser uma tremenda crise de fé, de secura e escura aridez... Pode ser uma crise afetiva, o aperto da solidão, o medo da velhice, da doença, das nossas incapacidades, da morte... Não importa! Importa permanecer com Ele, fazendo Dele as nossas provações e tomando as Dele como nossas! Para isso fomos escolhidos, chamados e ordenados! É significativo que, por ser Tempo Pascal, a antífona termine com o “Aleluia”. Sim: em Cristo toda provação torna-se pascal, torna-se caminho de ressurreição. Caminho só, não! Torna-se certeza, experiência de ressurreição! É isto! Tão pouco e tanto que o Senhor pede e espera dos Seus ministros! Peço a você, meu Leitor, que reze por mim e por todos os Bispos e presbíteros da Igreja, para que tenhamos a coragem de permanecer sempre com Ele, em todas as Suas provações! Deus lhe pague. Amém. 
Escrito por Dom Henrique às 22h19
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O Pastor que dá a vida pelas ovelhas
Dos Sermões de Basílio de Selêucida (séc. V), bispo: Olhemos para o nosso pastor: Cristo. Ele Se alegra com as Suas ovelhas que estão perto de Si e vai à procura das que se perderam. Não Lhe fazem medo as montanhas nem as florestas; percorre as ravinas para chegar até à ovelha perdida. Mesmo que a encontre em mau estado, não Se encoleriza mas, tocado pela compaixão, põe-na aos ombros e, com a Sua própria fadiga, cura a ovelha fatigada (cf. Lc 15,4ss). É com razão que Cristo proclama: Eu Sou o Bom Pastor, “procurarei aquela que se tinha perdido, reconduzirei a que se tinha tresmalhado; cuidarei da que está ferida e tratarei da que está doente” (Ez 34,16). Eu vi o rebanho dos homens acabrunhado pela doença; vi os Meus cordeiros irem para onde moram os demônios; vi o Meu rebanho despedaçado pelos lobos. Vi tudo isto e não foi do alto. Foi por isso que tomei a mão dissecada pelo mal como se tivesse sido mordida por um lobo; libertei aqueles que a febre tinha aprisionado; ensinei a ver aquele que tinha os olhos fechados desde o seio da sua mãe; retirei Lázaro do túmulo onde jazia já há quatro dias (Mc 3,5; 1,31; Jo 9; 11). «Porque Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a vida pelas Suas ovelhas». Os profetas conheceram este pastor visto que, bem antes da Sua Paixão, já Ele anunciava o que estaria para vir: «Foi maltratado, mas humilhou-se e não abriu a boca, como um cordeiro que é levado ao matadouro, ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador» (Is 53,7). Como uma ovelha, o pastor expôs a Sua vida pelas suas ovelhas. Pela Sua morte, remediou a morte; pelo Seu túmulo, esvaziou os túmulos. Os túmulos estão tristes e a prisão está fechada enquanto o pastor, descido da cruz, não vem trazer às Suas ovelhas encarceradas a alegre notícia da libertação. Vemo-Lo nos infernos, onde dá a ordem de libertação (cf. 1Pd 3,19); vemo-Lo chamar de novo as Suas ovelhas, chamá-las como as chamou da morada dos mortos para a vida. «O bom pastor dá a vida pelas Suas ovelhas». É assim que Ele Se propõe ganhar a afeição das Suas ovelhas e aquelas que sabem ouvir a Sua voz amam a Cristo. 
Escrito por Dom Henrique às 16h43
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Ai que linda Senhora!
“Era uma Senhora tão linda, tão bonita!… Tinha um vestido branco, e um cordão de oiro ao pescoço até ao peito… A cabeça estava coberta por um manto branco, também, muito branco, não sei, mas mais branco que o leite… e tapava-a até aos pés… Era todo bordado de oiro… Ai que bonito!… Tinha as mãos juntas... Entre os dedos tinha as contas. Ai que lindo tercinho que ela tinha… todo de oiro, brilhante, como as estrelas da noite, e um crucifixo que luzia… que luzia… Ai que linda Senhora! Uma Senhora, vestida toda de branco, mais brilhante que o sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio d’água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente. Estávamos tão perto, que ficávamos dentro da luz que a cercava, ou que ela espargia” (Das Memórias da Irmã Lúcia). 
Escrito por Dom Henrique às 02h26
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Uma Senhora, mais brilhante que o sol
Três crianças, Lúcia de Jesus dos Santos, de 10 anos, Francisco Marto, de 9 anos e Jacinta Marto, de 7 anos, viram Nossa Senhora no dia 13 de Maio de 1917, quando apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, freguesia de Aljustrel, pertencente ao conselho de Ourém, Portugal. Por volta do meio dia, depois de rezarem o terço, as crianças teriam visto uma luz brilhante; julgando ser um relâmpago, decidiram ir-se embora, mas, logo depois, outro clarão teria iluminado o espaço. Então, viram, em cima de uma pequena azinheira, uma "Senhora mais brilhante que o sol". 
Escrito por Dom Henrique às 02h18
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Mestra de oração
Das mãos lhe pendiam continhas de luz. Assim era o terço da Mãe de Jesus! 
Escrito por Dom Henrique às 00h28
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Mãe de Portugal, Mãe de todos os cristãos
Sobre o tronco da azinheira, vós viestes, Mãe clemente, visitar a lusa gente de quem sois a Padroeira! 
Escrito por Dom Henrique às 00h25
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13 de Maio
A Fátima vieste, ó Mãe querida, Compadecida do povo teu. Já o mundo inteiro te venera E considera o amparo teu! 
Escrito por Dom Henrique às 00h21
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Ele nos deu o exemplo
Dos Sermões de Lansperge, o Cartuxo (1489-1539), religioso e teólogo: A humildade com que Cristo «Se esvaziou a Si mesmo, tomando a condição de servo» (Fl 2,7) é para nós luz, como é luz também a Sua recusa da glória deste mundo, Ele que preferiu nascer num estábulo em vez de um palácio e sofrer uma morte vergonhosa numa cruz. É graças a esta humildade que somos capazes de ter consciência de quanto é detestável o pecado de alguém que, sendo pó apenas (cf. Gn 2,7), um pobre homenzinho de nada, pelo poder do orgulho se glorifica e recusa a obedecer, ao passo que vemos a Deus infinito humilhado, desprezado e entregue ao bel prazer dos homens. A mansidão com que suportou a fome, a sede, o frio, os insultos, os golpes, as feridas, também ela é para nós luz, uma vez que «não abriu a boca, como um cordeiro que é levado ao matadouro ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador» (Is 53,7). É graças a esta mansidão que somos capazes de ver como a cólera é inútil, assim como a ameaça; então, dispomo-nos a sofrer e a servir a Cristo de todo o coração. É graças a ela que, por fim, compreendemos tudo o que nos é pedido: expiar os nossos pecados na submissão e no silêncio e suportar com paciência o sofrimento quando surgir. Assim Cristo suportou os Seus tormentos com essa brandura e paciência, não pelos Seus próprios pecados, mas pelos dos outros. Irmãos caríssimos, reflitamos desde já em todas as virtudes que Cristo nos ensinou com a Sua vida exemplar, nos recomenda com o Seu estímulo e nos ajuda a imitar com a fortaleza da Sua graça. .jpg)
Escrito por Dom Henrique às 22h43
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Palavras lúcidas e proféticas: direto ao essencial
Meu caro Leitor, as linhas abaixo são para quem se interessa pela história recente da Igreja e pela análise da sua atual situação. Tratam-se de uma entrevista concedida pelo Cardeal Jean Daniélou à Rádio Vaticano. Por falar o que pensava – e o que pensava não era e não é a moda das últimas décadas – foi perseguido e jogado ao esquecimento. É o preço a ser pago pelos verdadeiros profetas de ontem e de hoje... Antes das palavras da entrevista, deixe-me informá-lo de algumas notícias sobre este homem notável: (1) Daniélou foi um dos pais da chamada “Nouvelle Théologie” (= Nova Teologia), um movimento nascido na França, que desejava desenvolver um novo método de fazer teologia, levando mais em conta a Sagrada Escritura, os Padres da Igreja e os grandes teólogos medievais, mas lidos na sua totalidade e no seu contexto histórico. A Nouvelle Théologie é um modo belíssimo e fecundo de se fazer teologia! Alguns nomes desse movimento: Henri de Lubac, Jean Daniélou, Teilhard de Chardin, Yves Congar, Marie-Dominique Chenu, Louis Bouyer, Étienne Gilson, Jean Mouroux. Joseph Ratzinger é um dos herdeiros desse belíssimo movimento e grande admirador de De Lubac e de Daniélou. Os teólogos da Nouvelle Théologie sofreram muitas incompreensões na sua época. Foram eles que, em grande parte, colocaram as bases para o Concílio Vaticano II. Infelizmente, após o Concílio, a teologia predominante foi uma outra, que desvirtuou em muito as intenções e os textos do Vaticano II, dando origem ao mito do “espírito do Concílio” e utilizando uma hermenêutica de ruptura com o passado, como se a Igreja tivesse sido refundada pelo Vaticano II! Se antes Henri de Lubac fora incompreendido pelos tomistas mais conservadores, agora seria ridicularizado pelos fautores da teologia de ruptura do pós-Concílio... Daniélou experimentou isso na carne e a entrevista que apresentarei a seguir foi o marco do início das hostilidades contra ele. Sendo jesuíta, sofreu tanto na sua própria congregação que foi morar numa casa de religiosas de outro instituto! (2) A morte de Daniélou gerou muita polêmica. Ele morreu na escadaria de entrada da casa de uma prostituta de Paris. Morreu com uma certa quantia em dinheiro no bolso. Seus adversários e inimigos logo se encarregaram de lançar sobre ele a triste suspeita de que estava ali para desfrutar dos serviços da prostituta. Infelizmente também entre filhos da Igreja existe esta tática: por vezes, quando não se consegue desacreditar alguém por suas ideias, lançam-se sobre essa pessoa suspeitas contra sua moral sexual! É triste, mas acontece! Na verdade, o Cardeal Daniélou era um homem piedoso e apostólico. Soube-se depois que ele costumava ajudar espiritual e financeiramente algumas prostitutas e gente miserável de Paris. Naquela noite, já ruim da saúde, ele caminhou um longo trecho a pé para levar dinheiro à prostituta Mimi Santoni. A própria Mimi explicou que aquele dinheiro era uma ajuda do Cardeal para pagar a saída de prisão do namorado dela. A suspeita foi manchete nos jornais; a verdade ficou escondida e a fama do Cardeal, manchada! Escritor e teólogo profundo, seu nome ficou no esquecimento. Ainda bem que Deus existe e Sua justiça é infinita; e na Sua luz contemplaremos a luz! A seguir, as palavras da entrevista profética de Daniélou. O que ele disse então, em 1972, cumpriu-se... Concordo com ele totalmente! E suas palavras ainda podem enfurecer a muitos... Eminência, existe realmente uma crise na vida religiosa? Pode dizer as dimensões dela? Penso que exista atualmente uma crise muito grave da vida religiosa e que não se deva falar de renovação, mas, ao invés, de decadência. Penso que esta crise atinja sobretudo a área atlântica. A Europa do Leste e os países da África e da Ásia apresentam neste ponto uma melhor saúde espiritual. Esta crise se manifesta em todos os âmbitos. Os conselhos evangélicos não são mais considerados como consagração a Deus, mas vistos numa perspectiva sociológica e psicológica. Há uma preocupação de não apresentar uma fachada burguesa, mas no plano individual a pobreza não é praticada. Substituiu-se a obediência pela dinâmica de grupo; com o pretexto de reagir contra o formalismo, toda regularidade da vida de oração foi abandonada e as consequências desse estado de confusão são sobretudo o desaparecimento das vocações, porque os jovens pedem uma formação séria. E, por outro lado, há os numerosos e escandalosos abandonos dos religiosos que renegam o pacto que os ligava ao povo cristão. Pode nos dizer quais são, na sua opinião, as causas desta crise? A fonte essencial desta crise é uma falsa interpretação do Vaticano II. As diretrizes do Concílio eram claríssimas: uma maior fidelidade dos religiosos e religiosas às exigências do Evangelho, expressas nas constituições de cada instituto e, ao mesmo tempo, uma adaptação das modalidades dessas constituições às condições da vida moderna. Os institutos que são fieis a estas diretrizes conhecem uma verdadeira renovação e têm vocações. Mas, em muitos casos, foram substituídas as diretrizes do Vaticano II por ideologias errôneas, colocadas em circulação por revistas, encontros e teólogos. E entre estes erros pode-se mencionar: - A secularização. O Vaticano II declarou que os valores humanos devem ser levados a sério. Mas nunca disse que nós deveríamos mergulhar num mundo secularizado no sentido que a dimensão religiosa não deveria mais estar presente na civilização e é em nome de uma falsa secularização que religiosos e religiosas renunciam ao seu hábito, abandonam as suas obras para inserir-se nas instituições seculares, substituindo a adoração a Deus por atividades sociais e políticas. E isto vai na contramão, entre outras coisas, em relação à necessidade de espiritualidade que se manifesta no mundo de hoje. - Uma falsa concepção da liberdade, que leve cosigo a desvalorização das constituições e das regras e exalta a espontaneidade e a improvisação. Isto é ainda mais absurdo enquanto a sociedade ocidental sofre atualmente com a ausência de um disciplina da liberdade. A restauração de regras firmes é uma necessidade da vida religiosa. - Uma concepção errônea da mutação do homem e da Igreja. Mesmo quando os contextos mudam, os elementos constitutivos do homem e da Igreja são permanentes e a contestação dos elementos constitutivos das constituições das ordens religiosas é um erro fundamental. Mas, o senhor vê remédios para superar esta crise? Penso que a única e urgente solução é frear os falsos rumos tomados por um certo número de institutos. Para isto é necessário pôr fim a todas as experiências e a todas as decisões contrárias às diretrizes do Concílio; prevenir contra os livros, revistas e encontros nos quais se difundem essas concepções erradas; restaurar na sua integridade a prática das constituições com as adaptações pedidas pelo Concílio. Onde isto parecer impossível, eu penso que não se pode negar aos religiosos que desejam ser fieis às constituições da sua ordem e às diretrizes do Concílio Vaticano II,que constituam comunidades distintas. Os superiores religiosos devem respeitar este desejo. Estas comunidades devem ser autorizadas a ter casas de formação. A experiência mostrará se as vocações serão mais numerosas nas casas de estrita observância ou nas casas de observância mitigada. No caso em que os superiores se oponham a estas solicitações legítimas, um recurso ao Sumo Pontífice é certamente lícito. A vida religiosa tem um grandioso futuro na civilização técnica. Mais esta se desenvolva, mais fará sentir a necessidade das manifestações de Deus. Isto é precisamente a finalidade da vida religiosa. Mas para cumprir sua missão é preciso que ela reencontre seu autêntico significado e rompa radicalmente com uma secularização que a destrói na sua essência e a impede de atrair vocações. Ainda uma observação minha: Hoje, quem resgata na Igreja a radicalidade da vida religiosa são principalmente as novas comunidades e as ordens e congregações mais austeras. Nelas não há crise de vocações; pelo contrário! No mais, quanta decadência se vê... Quanta tristeza, pois a vida religiosa é bela e profética, desde que seja um sinal do céu na terra da humanidade! Fora disso, não passa de triste caricatura. Olhe em volta que você verá! E dá pena, muta pena!  Daniélou: lucidez profética
Escrito por Dom Henrique às 22h21
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O "aleluia" que agrada a Deus
Dos Comentários sobre os salmos, de Santo Agostinho, bispo (Séc. V): Toda a nossa vida presente deve transcorrer no louvor de Deus, porque louvar a Deus será também a alegria eterna de nossa vida futura. Ora, ninguém pode tornar-se apto para a vida futura se, desde já, não se prepara para ela. Agora louvamos a Deus, mas também rogamos a Deus. Nosso louvor está cheio de alegrias, e nossa oração, de gemidos. Foi-nos prometido algo que ainda não possuímos; porém, por ser feliz Quem o prometeu, alegramo-nos na esperança; mas, como ainda não estamos na posse da promessa, gememos de ansiedade. É bom perseverarmos no desejo, até que a promessa se realize; então acabará o gemido e permanecerá somente o louvor. Assim podemos considerar duas fases da nossa existência: a primeira, que acontece agora em meio às tentações e dificuldades da vida presente; e a segunda, que virá depois na segurança e alegria eterna. Por isso, foram instituídas para nós duas celebrações: a do tempo antes da Páscoa e a do tempo depois da Páscoa. O tempo antes da Páscoa representa as tribulações que passamos nesta vida. O que celebramos agora, depois da Páscoa, significa a felicidade que alcançamos na vida futura. Portanto, antes da Páscoa celebramos o que estamos vivendo; depois da Páscoa celebramos e significamos o que ainda não possuímos. Eis por que passamos o primeiro tempo em jejuns e orações; no segundo, porém, que estamos celebrando, deixando os jejuns, nos dedicamos ao louvor de Deus. É este o significado do Aleluia que cantamos. Em Cristo, nossa cabeça, ambos os tempos foram figurados e manifestados. A paixão do Senhor mostra-nos as dificuldades da vida presente, em que é preciso trabalhar, sofrer e por fim morrer. A ressurreição e glorificação do Senhor nos revelam a vida que um dia nos será dada. Agora, pois, irmãos, vos exortamos a louvar a Deus. É isto o que todos nós exprimimos mutuamente quando cantamos: Aleluia. Louvai o Senhor, dizemos nós uns aos outros. E assim todos põem em prática aquilo que se exortam mutuamente. Mas louvai-o com todas as vossas forças, isto é, louvai a Deus não só com a língua e a voz, mas também com a vossa consciência, vossa vida, vossas ações. Na verdade, louvamos a Deus agora que nos encontramos reunidos na igreja. Mas logo ao voltarmos para casa, parece que deixamos de louvar a Deus. Não deixes de viver santamente e louvarás sempre a Deus. Deixas de louvá-lo quando te afastas da justiça e do que lhe agrada. Mas, se nunca te desviares do bom caminho, ainda que tua língua se cale, tua vida clamará; e o ouvido de Deus estará perto do teu coração. Porque assim como nossos ouvidos escutam nossas palavras, assim os ouvidos de Deus escutam nossos pensamentos. .jpg)
Escrito por Dom Henrique às 19h49
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Uma alegria que é plena
Há ainda outro fruto, outro sinal da presença do Espírito em nós: a alegria interior, mesmo em meio a dificuldades, lutas e provações da vida. Disse o nosso Salvador: “Eu vos disse isso, para que a Minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena”. Onde o Espírito de Jesus ressuscitado está presente, a alegria triunfa, porque a morte, a treva, a falta de sentido, o vazio, o desespero, o pecado foram vencidos. Por isso mesmo, o cristão, ainda que entre provações e dificuldades, poderá sempre manter uma profunda alegria interior – a alegria pascal, fruto da presença do Santo Espírito! Ainda um último sinal dessa doce presença do Espírito do Ressuscitado em nós: o amor fraterno. “Este é o Meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei!” Jesus nos amou até entregar toda a Sua vida por nós, como remissão pelos nossos pecados. Pois bem, ao nos dar o Seu Espírito de amor, Ele nos dá as condições e a graça para amar assim, como Ele mesmo amou. Isso é tão forte, que a segunda leitura da Missa deste Domingo VI da Páscoa nos desafia: “Quem não ama, não chegou a conhecer a Deus, porque Deus é amor. Todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus”. Ainda uma vez mais: é no Espírito de Amor que podemos nascer de Deus no Batismo, é no Espírito de Amor que podemos conhecer a Deus como Pai e a Jesus como o Filho amado! É o Espírito de Amor quem nos reúne, apesar de sermos tão diferentes A Palavra de Deus deste Domingo escutada já nos aponta para Pentecostes, daqui a quinze dias... Preste atenção como o fruto da morte e ressurreição de Jesus é o Dom do Seu Espírito, que permanece conosco e torna Jesus presente a nós, vivo e vivificante! Estejamos atentos: todos temos o mesmo Espírito de amor e no amor que é esse Espírito devemos viver. A Igreja não é uma comunidade de amiguinhos simpáticos entre si; não é a reunião de pessoas interessantes e bem relacionadas! Nada disso! Somos a Comunidade reunida em nome de Cristo morto e ressuscitado, nascidos no Batismo no Seu Espírito Santo, Espírito que nos faz amar a Jesus e, por Jesus, amarmo-nos uns aos outros. Assim sendo, sejamos dóceis ao Espírito, permaneçamos em Cristo e arrisquemos viver de amor. Que no-lo conceda Aquele que, à direita do Pai, deu-nos o Espírito e intercede por nós! 
Escrito por Dom Henrique às 19h42
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Permanecer Nele e Nele viver
Veja ainda uma palavra da Escritura: “Nisto reconhecemos que permanecemos Nele e Ele em nós: Ele nos deu o Seu Espírito!” (1Jo 4,13). E qual é o sinal que temos e vivemos no Espírito? Que frutos esse Espírito de Amor, permanecendo em nós, nos dá? O primeiro é cumprir os mandamentos: “Se guardardes os Meus mandamentos, é porque permanecereis no Meu amor”. É experimentando o amor de Jesus, vivendo na doçura do Seu Espírito, que podemos compreender a sabedoria dos preceitos do Evangelho e teremos a força e a doçura para cumpri-los. Como o mundo não conhece nem tem o Espírito Santo de amor, não pode compreender nem gostar dos preceitos do Senhor! Por isso esse tão grande choque entre o que a Igreja propõe em nome de Cristo para a nossa vida moral e aquilo que o mundo propõe! Aborto, eutanásia, uso de preservativos, divórcio, relações pré-matrimoniais, relações homossexuais, riqueza, prazer, etc... Há um abismo entre o sentir do mundo e o sentir do cristão. A Escritura nos previne sobre isto: “O homem psíquico não aceita o que é do Espírito de Deus, pois isso lhe parece loucura. Ele não é capaz de entendê-lo, porque só pode ser avaliado pelo Espírito. Ao contrário, o homem espiritual julga tudo, mas ele mesmo não é julgado por ninguém. Pois quem conheceu o pensamento do Senhor, de maneira a poder lhe dar conselho? Nós, todavia, temos o pensamento de Cristo” (1Cor 2,14-16). Eis aqui: o homem psíquico é o homem somente no nível da sua lógica, da sua razão. Somente neste nível o ser humano não chega realmente a conhecer a lógica de Deus e a Sua sabedoria. E não pensemos logo nos de fora, os que não praticam realmente a fé cristã! Pensemos em nós – eu e você! Qual a minha lógica: a do mundo, segundo o mundo ou a de Cristo, segundo o Espírito do Crucificado que ressuscitou? Mas, eu não poderei de verdade abraçar a lógica de Cristo se o Seu Espírito não me iluminar e sustentar! Isto vale para qualquer cristão, isto vale para mim e para você! O triste hoje em dia é que temos um monte de cristãos – leigos e mesmo membros da hierarquia – que pensam não segundo a lógica do Cristo, mas segundo a lógica do mundo. A este propósito, são duríssimas as palavras da Escritura Sagrada – e quem dera que as tomássemos para nós mesmos, inclusive membros do clero e das comunidades religiosas: “Irmãos, sede meus imitadores, todos vós, e reparai bem os que vivem segundo o exemplo que tendes em nós. Já vos disse muitas vezes, e agora o repito, chorando: há muitos por aí que se comportam como inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição, o deus deles é o ventre, a glória deles está no que é vergonhoso. Apreciam só as coisas terrenas! Nós, ao contrário, somos cidadãos do céu. De lá aguardamos como salvador o Senhor Jesus Cristo. Ele transformará o nosso pobre corpo, tornando-o semelhante ao Seu corpo glorioso, graças ao poder que o torna capaz também de sujeitar a si todas as coisas” (Fl 3,17-21). Não há escapatória: Somente o cristão, sustentado pelo Santo Espírito de Amor, pode compreender que os mandamentos do Senhor não são pesados, mesmo quando nos parecem difíceis! É o Espírito de Jesus que, habitando em nós, faz-nos permanecer em Jesus e ter prazer e força no cumprimento da Sua santa vontade! Se não pensamos assim, se não vemos assim, é porque estamos fechados e insensíveis ao Espírito de Cristo! 
Escrito por Dom Henrique às 19h37
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