Visão cristã
   Conhece a Escritura quem conhece Cristo

Do Brevilóquio de São Boaventura, bispo (séc. XIII):

 

Do conhecimento de Jesus Cristo emana a compreensão de toda a Sagrada Escritura

 

A fonte da Sagrada Escritura não está na investigação humana, mas na divina revelação que brota do Pai das luzes, de quem toda paternidade no céu e na terra recebe o nome (Observação minha: Eis aqui uma afirmação fundamental para quem deseja compreender as Sagradas Escrituras: sendo textos inspirados pelo Senhor, sendo sua santa Palavra, as Escrituras não podem ser compreendidas unicamente com o engenho humano. Não adiante ter diploma de exegeta: o sentido dos textos sagrados somente pode ser atingido pelo humilde, que se deixa guiar pela iluminação do Senhor! E um exegeta sem fé, presunçoso e ímpio? Sabe tudo da letra e nada do Espírito, conhece a casca, a carne que não serve para nada, mas desconhece totalmente o Espírito que revela o espírito por trás da letra: é a compreensão desse espírito que dá doçura, unção, paz e alegria no Senhor).

Desse Pai, por seu Filho Jesus Cristo, vem a nós o Espírito Santo e por este Espírito Santo, que reparte e distribui os dons a quem quer, é-nos dada a fé: pela fé Cristo habita em nossos corações. Ela é o conhecimento de Jesus Cristo, donde se origina a firmeza e a compreensão de toda a Sagrada Escritura (Observação minha: O pensamento de São Boaventura é perfeito: o Espírito dá testemunho de Cristo e quem se aproxima das Escrituras com Cristo no coração e na mente, as compreende, porque ele é a chave de todo o texto sagrado: ali tudo prepara para ele, tudo dá testemunho dele, tudo perscruta o seu santíssimo mistério. Cristo é a única chave, o único acesso às Escritura Sagrada!)

Por conseguinte, é impossível a alguém propor-se conhecer a Sagrada Escritura antes de receber a fé em Cristo em si, infundida como lâmpada, porta e mesmo fundamento de toda ela. (Observação minha: Eis aqui uma afirmação que desmoraliza completamente o modo protestante de se aproximar da Bíblia. O centro da nossa fé não é a Escritura, mas Cristo Jesus. Nós não cremos em Cristo por causa da Bíblia, mas, ao contrário, cremos no que está escrito na Bíblia porque Cristo, nosso Salvador e Mestre, afirmou que as Escrituras dão testemunho dele. E esse Cristo, nós o conhecemos e aprendemos a nele crer e a amá-lo graças à Igreja. Então, seguindo São Boaventura, primeiro recebemos da Igreja a fé em Cristo e esta fé – fruto da ação do Espírito que confirma a pregação e os gestos sacramentais da Igreja - nos leva a tal conaturalidade com os textos inspirados pelo mesmo Espírito, que os compreendemos com a sabedoria toda espiritual). Enquanto estamos peregrinando longe do Senhor, a fé é o fundamento que sustenta, a lâmpada que orienta, a porta que introduz a todas as iluminações espirituais. Além do que nos é necessário medir pela medida da fé até mesmo a sabedoria que nos é dada por Deus, a fim de não saber mais do que convém, mas com sobriedade e cada um conforme a medida da fé a ele concedida por Deus (Observação minha: Ah, se todo exegeta compreendesse isto! Quantas afirmações arrogantes e até ímpias seriam evitadas! Tanto mal deixaria de ser dito e escrito nas academias teológicas e salas de aula! Na fé, cheia do Espírito, reside a diferença entre o sábio e o sabido, entre o douto nas coisas de Deus e o simples erudito acadêmico. O homem de fé, temente a Deus, aproximar-se-á sempre dos Livros Sagrados com santo temor e tremor, sabendo que, por mais que compreenda, bem mais é o que ignora do sentido profundo da Palavra do Altíssimo! Por isso, o verdadeiro exegeta será sempre humilde, modesto, docemente sóbrio no modo de explicar a Escritura).

Não é um resultado ou um fruto qualquer o benefício da Sagrada Escritura, em que estão as palavras de vida eterna. Ela foi escrita não apenas para que crêssemos, mas para que possuíssemos a vida eterna, onde veremos, amaremos e teremos satisfeitos todos os nossos desejos (Observação minha: Aqui está: o estudo das Escrituras não pode jamais ser um simples jogo acadêmico. Trata-se, antes, de buscas nas palavras a Palavra que é o próprio Cristo e nele ter a vida eterna: Tua Palavra, Senhor, é espírito e vida, é vida eterna! Aos “entendidos” segundo a carne, aos “sábios” de sua própria sabedoria, ela fica oculta, escondida, mas é revelada aos humildes e pequenos!).

Sendo assim, aprenderemos verdadeiramente a incomparável ciência da caridade e seremos repletos de toda a plenitude de Deus. Nesta plenitude, esforça-se a Sagrada Escritura por introduzir-nos segundo a verdade da citada afirmação apostólica. Com este fim e nesta intenção deve-se perscrutar, ensinar e também ouvir a Sagrada Escritura (Observação minha: Segundo São Boaventura, o fruto da freqüentação da Palavra de Deus é a caridade, isto é, o amor de Deus que se torna amor aos irmãos e a todas as criaturas por amor de Deus. Que beleza: freqüentar a Palavra do Senhor Deus para amar – e o amor é a natureza mesma de Deus: quem ama conhece a Deus, está em comunhão íntima com ele, experimenta já na terra algo da doçura do céu!).

Para alcançarmos esse fruto e meta, avançando pelo reto caminho das Escrituras, cumpre começar do princípio. É necessário que nos aproximemos do Pai das luzes com fé pura, dobrando os joelhos do coração para que, por seu Filho, no Espírito Santo, nos conceda o verdadeiro conhecimento de Jesus Cristo e, com o conhecimento, também o seu amor. Conhecendo-o, então, e amando-o, firmes na fé e arraigados na caridade, poderemos entender a largura, a extensão, a altura e a profundidade da Sagrada Escritura e por esta ciência chegar àquele intensíssimo conhecimento e desmedido amor da Santíssima Trindade. A ela tendem os desejos dos santos e nela se encontra a plenitude de toda a verdade e de todo o bem.

 

 



Escrito por Dom Henrique às 20h25
[] [envie esta mensagem] []


 
   O que realmente atrai, o que encanta...

Caros Irmãos, sigamos de perto este Evangelho de hoje, V Domingo Comum. Jesus aparece à margem do Mar da Galileia – ou Mar de Tiberíades, ou Lago de Genesaré. Trata-se daquele lago formado pelas águas do Jordão. Aí Jesus pregou e viveu a maior parte do seu ministério, aí fez seus milagres, aí contou aquelas parábolas tão bonitas, que encantam ainda hoje o nosso coração peregrino.

O Senhor está às margens desse lago e a multidão se apinha na praia para escutá-lo. Diz o Evangelho deste hoje que todos queriam “ouvir a Palavra de Deus”. É o que tanto atrai em Jesus: ele fala do Infinito, ele traz o Céu, traz Deus para este mundo cansado, para o coração humano tão sedento, tão vazio, tão ferido... Mais ainda: o nosso bendito e santo Salvador não somente traz a Palavra, mas ele próprio é essa Palavra: “No princípio era a Palavra, o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós e nós vimos a sua glória!” (Jo 1,1.14). Pensai bem meus caros, porque ainda hoje é assim: a humanidade tem sede dessa Palavra e a Igreja somente atrairá o mundo quando anuncia esta Palavra bendita, que é Jesus. Não se trata de inventar tantos programas de pastoral, de aparecer com tantas novidades e muito menos d e se adequar aos modos e modas do mundo, mas de ser transparência viva de Jesus, de sua encantadora Pessoa e da Palavra que ele anuncia!

 



Escrito por Dom Henrique às 16h27
[] [envie esta mensagem] []


 
   Na tua Palavra!

O Senhor entra na barca de Pedro – recordai que no Evangelho, a barca é imagem da Igreja. É na Igreja de Pedro, na Igreja de Bento XVI que Jesus se encontra e aí, pela voz da Igreja, da Mãe católica, ele ainda hoje nos faz ouvir a sua voz, que é luz, que é doçura que inebria o nosso coração! Que cena tão comovente: a barca a uns poucos metros da praia, Jesus nela sentado ensinando, o povo sentado à margem do lago, e o vento, trazendo aos ouvidos da multidão as palavras de vida eterna, a bendita mensagem que vem do infinito para o nosso mundo sofrido e cansado...

E ao terminar, Jesus diz a Pedro – e diz a nós, a cada um e à sua inteira Igreja: “Avança para as águas mais profundas, conduz o barco para o mar alto, e lançai vossas redes para a pesca!” O mar do mundo, o mar da vida, o mar do dia-a-dia, o mar das mil dificuldades e desafios do mundo atual – eia onde o Senhor nos envia! E Pedro, cansado e desiludido, pois que passara a noite num mar que não estava para peixe, diz a Jesus o que nós deveremos sempre dizer: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Estamos cansados e desiludidos, sentimo-nos sem forças, sem motivação... Mas, porque tu mandas, na tua palavra, lançarei as redes!” Ah, queridos irmãos meus, companheiros de caminho neste mundo, companheiros na barca de Pedro, que é a Igreja, por que temos medo? Jesus é quem está na barca, Jesus é quem comanda a pesca! Não somos nós, não são as nossas f orças, não é a esperteza dos nossos planos de pastoral: é ele quem nos sustenta, é ele quem nos inspira o que dizer, é ele quem pode tocar os corações! Vamos, pois, ao alto mar desse mundo, e lancemos as redes do Evangelho! E o milagre acontece, e os peixes são tantos, que se faz necessária a ajuda dos companheiros de Pedro!

 



Escrito por Dom Henrique às 16h25
[] [envie esta mensagem] []


 
   A graça dele na nossa fraqueza

Simão,diante da manifestação da santidade de Jesus – não é ele o Deus Santo que Isaías viu no Templo, na primeira leitura de hoje? Não é ele, Jesus, aquele a quem proclamamos a cada Domingo: “Só vós sois o Santo, só vós o Senhor, só vos o Altíssimo”? Não é ele, a quem os anjos aclamam no céu dizendo: “Santo, Santo, Santo, Senhor Deus dos exércitos”? Pedro prostra-se ante Jesus e confessa humildemente ser apenas um pecador, como Isaías na primeira leitura: Ai de mim! Afasta-te de mim, Senhor: sou apenas um homem impuro que vive no meio de um povo impuro! Sou apenas um pobre pecador: não sirvo para o teu santo serviço!” - eis o que deveríamos pensar, eis o que deveríamos dizer! E o mesmo Deus que tocou os lábios de Isaías e o purificou, toca o coração de Pedro – toca o meu e o teu coração – e afirma, misericordioso: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu deras pescador de homens!” Pescador não por nossos méritos, mas pela misericórdia do Senhor, como São Paulo, que hoje humildemente reconhece: “ Eu sou o menor dos apóstolos, eu nem mereço o nome de apóstolo! É pela graça de Deus que sou o que sou. Sua graça para comigo não foi estéril!” Também nós não somos nem dignos de ser cristãos; nem merecemos testemunhar e anunciar Jesus! E, no entanto, ele nos escolheu, nos chamou, ele nos enviou, a cada um de nós, seus discípulos – apesar de nossa fraqueza e de nossas mil infidelidades! Cristão, tu não és melhor que ninguém, não és pior que ninguém; mas és diferente: és de Cristo, és por ele escolhido, consagrado e enviado ao alto mar do mundo para aí testemunhares o seu santo nome!

E este testemunho, caríssimos, não pode ser outro que aquele de Paulo, da Igreja dos Apóstolos e de todos os tempos: o anúncio de Jesus tal qual é conservado e proclamado de modo íntegro pela nossa Mãe católica: “Cristo, o único Salvador, morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras” – Buda não salva, Maomé não salva, os orixás não salvam e sequer existem! Somente Cristo morto por nós é o Salvador! Ele “foi sepultado e ao terceiro dia ressuscitou, segundo as Escrituras”. Nele, caríssimos, a morte foi vencida! Ele está vivo e apareceu primeiro a Simão-Cefas, aquele mesmo que foi feito pescador de homens, aquele de quem Bento XVI é legítimo Sucessor; e apareceu aos Doze, aqueles mesmos que têm como sucessores os Bispos católicos. Apareceu a Tiago e também a mais de quinhentos irmãos, a maioria dos quais ainda vivia na época de Paulo Apóstolo. Por último apareceu a Paulo – e o próprio Apóstolo hoje dá testemunho de que viu o Senhor vivo, ressuscitado, vitorioso!

 

 

 



Escrito por Dom Henrique às 16h23
[] [envie esta mensagem] []


 
   por que ter medo?

Queridos irmãos, se o Senhor está vivo, se o Senhor é aquele proclamado no Evangelho tal como conservado pela santa Igreja católica,

 por que ter medo?

Por que a falta de convicção?

Por que a covardia em dizer aos quatro ventos dos quatro mares que Jesus é o Senhor, único Salvador?

 



Escrito por Dom Henrique às 16h21
[] [envie esta mensagem] []


 
   Súplica ao Senhor da pesca!

Jesus, vivo para sempre!

Jesus presente na tua Esposa católica, nossa Mãe amada,

Jesus ajuda-nos a sermos tuas testemunhas, apesar de nossa indignidade e fraqueza, apesar de nossa covardia tantas vezes!

Jesus, torna cheia a rede da tua Igreja, não segundo os nossos modos e prazos, mas unicamente segundo a tua santa vontade!

A ti a glória, ó Salvador, hoje e para sempre. Amém!

 



Escrito por Dom Henrique às 16h19
[] [envie esta mensagem] []


 
   Palavra de Deus para o V Domingo Comum - C

Leitura do Livro do Profeta Isaías (Is 6,1-2a.3-8)

1No ano da morte do rei Ozias, vi o Senhor sentado num trono de grande altura; o seu manto estendia-se pelo templo. 2aHavia serafins de pé a seu lado; cada um tinha seis asas. 3Eles exclamavam uns para os outros: “Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos; toda a terra está repleta de sua glória”. 4Ao clamor dessas vozes, começaram a tremer as portas em seus gonzos e o templo encheu-se de fumaça. 5Disse eu então: “Ai de mim, estou perdido! Sou apenas um homem de lábios impuros, mas eu vi com meus olhos o rei, o Senhor dos exércitos”.

6Nisto, um dos serafins voou para mim, tendo na mão uma brasa, que retirara do altar com uma tenaz, 7e tocou a minha boca, dizendo: “Assim que isto tocou teus lábios, desapareceu tua culpa, e teu pecado está perdoado”. 8Ouvi a voz do Senhor, que dizia: “Quem enviarei? Quem irá por nós?” Eu respondi: “Aqui estou! Envia-me”.

 

Salmo responsorial (Sl 137)

Vou cantar-vos ante os anjos, ó Senhor,

e ante o vosso templo vou prostrar-me.

Ó Senhor, de coração eu vos dou graças,

porque ouvistes as palavras dos meus lábios!

Perante os vossos anjos vou cantar-vos

e ante o vosso templo vou prostrar-me. 

 

Eu agradeço vosso amor, vossa verdade,

porque fizestes muito mais que prometestes;

naquele dia em que gritei, vós me escutastes

e aumentastes o vigor da minha alma.

 

Os reis de toda a terra hão de louvar-vos,

quando ouvirem, ó Senhor, vossa promessa.

Hão de cantar vossos caminhos e dirão:

“Como a glória do Senhor é grandiosa!”

 

Estendereis o vosso braço em meu auxílio

e havereis de me salvar com vossa destra.

Contemplai em mim a obra começada;

ó Senhor, vossa bondade é para sempre!

Eu vos peço: não deixeis inacabada/ esta obra que fizeram vossas mãos!

 

Leitura da Primeira Carta de São Paulo Apóstolo aos Coríntios (1Cor 15,3-8.11)

Irmãos: 3O que vos transmiti, em primeiro lugar, foi aquilo que eu mesmo tinha recebido, a saber: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; 4que foi sepultado; que, ao terceiro dia, ressuscitou, segundo as Escrituras; 5e que apareceu a Cefas e, depois, aos Doze. 6Mais tarde, apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma vez. Destes, a maioria ainda vive e alguns já morreram. 7Depois, apareceu a Tiago e, depois, apareceu aos apóstolos todos juntos. 8Por último, apareceu também a mim, como a um abortivo. 11É isso, em resumo, o que eu e eles temos pregado e é isso o que crestes.

 

Aleluia, aleluia, aleluia! (Lc 5,10)

Vinde após mim – o Senhor lhes falou,

E vos farei pescadores de homens!

 

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas  (Lc 5,1-11)

Naquele tempo, 1Jesus estava na margem do lago de Genesaré, e a multidão apertava-se ao seu redor para ouvir a palavra de Deus. 2Jesus viu duas barcas paradas na margem do lago. Os pescadores haviam desembarcado e lavavam as redes. 3Subindo numa das barcas, que era de Simão, pediu que se afastasse um pouco da margem. Depois sentou-se e, da barca, ensinava as multidões.

4Quando acabou de falar, disse a Simão: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca”. 5Simão respondeu: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes”.

6Assim fizeram, e apanharam tamanha quantidade de peixes que as redes se rompiam. 7Então fizeram sinal aos companheiros da outra barca, para que viessem ajudá-los. Eles vieram, e encheram as duas barcas, a ponto de quase afundarem.

8Ao ver aquilo, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus, dizendo: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!” 9É que o espanto se apoderara de Simão e de todos os seus companheiros, por causa da pesca que acabavam de fazer. 10Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram sócios de Simão, também ficaram espantados. Jesus, porém, disse a Simão: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens”. 11Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram a Jesus.



Escrito por Dom Henrique às 00h22
[] [envie esta mensagem] []


 
   Roteiro bíblico-catequético para o V Domingo Comum - C

1. Estudo da primeira leitura:

è O texto deste Domingo conta-nos a vocação do profeta Isaías, no distante século VIII aC. Trata-se de uma visão impressionante: Isaías como que vê o Deus invisível e o experimenta em toda a sua majestade e santidade. Releia os vv. 1-4.

è Na Sagrada Escritura afirmar que Deus é santo significa dizer que ele é tão grande, tão infinito, que ultrapassa tudo e está para além de tudo: ele é o Separado, que não pode ser tomado por nosso amiguinho ou nosso compadre. Essa grandeza de Deus é também expressa pela sua retidão profunda, pela sua justiça, pela sua veracidade e fidelidade. Deus não erra, não peca, não compactua jamais com o mal. Tudo isto é expresso nesta palavra: kadosh, santo!

è Na sua experiência de Deus no templo, o profeta Isaías ficou para sempre marcado pela santidade de Deus. Nos seus escritos o Senhor será chamado inúmeras vezes de “o Santo de Israel”. Leia só como exemplo Is 1,4; 12,6; 45,11.

è Releia o v. 5. Veja a atitude de Isaías diante da santidade de Deus. Hoje, em muitos cristãos, vai desaparecendo esta consciência, que é expressa pelo respeito, o temor reverente, a adoração. Você tem consciência dessa santidade do Senhor? Qual o seu comportamento em relação às coisas de Deus? Qual o seu comportamento na igreja? É verdade que em Jesus Deus se manifesta com toda a doçura e proximidade de sua paternidade, mas isto em nada diminui sua santidade e o respeito profundo que lhe devemos. O próprio Jesus é o Santo de Deus, como todos os domingos proclamamos no hino de Louvor: “Só vós sois o Santo, só vós o Senhor, só vós o Altíssimo, Jesus Cristo!”

è Observe os vv. 6-7. Quando o profeta humildemente se reconhece pecador diante da santidade de Deus, o Senhor o purifica do seu pecado. É importante nunca esquecer: não é o homem que se purifica a si mesmo diante do Senhor, mas o Senhor que nos purifica pela sua misericórdia. A condição é que reconheçamos e confessemos nossos pecados. Leia o Sl 31/32 e Jo 20,19-23. Aí aparece claro que Jesus, sendo Deus bendito, não somente perdoa os pecados, mas concede à sua Igreja nas pessoas dos seus ministros, a autoridade para, em seu nome, perdoar todo pecado.

è Observe a disponibilidade corajosa e generosa do profeta para o serviço do Senhor: “Aqui estou! Envia-me!” Esta deveria ser também a nossa atitude!

è Reze o Salmo responsorial: é um hino à grandeza de Deus, que é santo e fiel. Preste atenção, sobretudo, à última estrofe. Peça com a mesma confiança do Salmista: “Senhor, completai em mim a obra que começastes!”

 

2. Estudo da segunda leitura:

è Todo o capítulo 15 da Primeira Epístola aos Coríntios é uma profunda exposição sobre a ressurreição. Vale a pena seguir detalhadamente o que a Palavra do Senhor nos diz.

è Releia os vv. 1-2. O Apóstolo recorda aos coríntios o Evangelho por ele pregado. “Evangelho” aqui não é um escrito, mas o anúncio de Jesus morte e ressuscitado por nós, para a nossa salvação. Duas coisas aqui chamam a atenção: (1) É preciso guardar fielmente este Evangelho para receber a salvação; (2) Não basta crer, mas é preciso crer de modo correto, crer na doutrina verdadeira, “de outro modo, teríeis abraçado a fé em vão”. Cuidado, portanto, com aqueles que afirmam que o importante é crer em Jesus, sem atenção à Igreja que ele fundou e à doutrina correta, tal como recebida dos Apóstolos. É absolutamente necessário crer com a fé da Igreja e guardar pura a doutrina católica, pois o que recebemos é o que foi transmitido desde o início. Leia o v. 3.

è Observe que São Paulo faz um belíssimo resumo do Evangelho. Releia os vv. 3-8. Vejamos parte por parte qual o centro da nossa fé cristã: (1) Jesus, que é o Cristo, o Messias, morreu pelos nossos pecados. Não morreu pela justiça ou pela paz, não morreu porque foi um revolucionário... Ele morreu para tirar o pecado do mundo, para que nele tenhamos o perdão. E tudo isto para cumprir o que fora anunciado no Antigo Testamento. (2) A morte do Senhor não foi uma brincadeira nem uma aparência: ele realmente entrou na humilhação da morte: foi sepultado. (3) Ele ressuscitou: venceu a morte, cumprido todas as promessas do Deus santo de Israel. (4) Ele apareceu primeiramente a Pedro (Cefas), que é o Chefe da sua Igreja e primeira testemunha apostólica da ressurreição. Ainda hoje é o Sucessor de Pedro a primeira testemunha do Senhor morto e ressuscitado. (5) Depois o Senhor apareceu aos Doze, isto é, ao grupo dos Apóstolos, que é hoje sucedido pelos Bispos em comunhão com o Sucessor de Pedro. São os bispos na Igreja as primeiras testemunhas do Ressuscitado. (6) A ressurreição não é um mito, uma lenda, uma invenção. São Paulo afirma que o Senhor apareceu a mais de quinhentos irmãos, muitos dos quais ainda estavam vivos lá pelo ano 54, quando ele escreveu esta carta. Eles poderiam testemunhar que o Senhor realmente ressuscitou. (7) Paulo refere-se também a uma aparição a Tiago, o Irmão do Senhor, aquele que será o Bispo de Jerusalém e, finalmente, (8) o Apóstolo testemunha que Jesus lhe apareceu ressuscitado. Esta afirmação é importantíssima: alguém que viu o Senhor afirma claramente este fato por escrito. Repito: a ressurreição não é uma lenda ou um sonho, mas a mais impressionante realidade deste mundo: nossa vida não termina no nada da morte, mas na plenitude da vida em Cristo Jesus!

è Como Isaías, que na primeira leitura experimenta a graça de Deus como perdão, também São Paulo aqui, afirma que seu apostolado é fruto não de seus merecimentos, mas da pura graça do Senhor que o chamou, ainda que ele tenha perseguido a Igreja de Cristo! Leia os vv. 10.

 

3. Estudo do Evangelho:

èObserve bem o que o Evangelho de hoje afirma:

èVeja o v. 1: Quem deseja escutar a Deus deve ouvir Jesus: nele a Palavra do Senhor Deus está presente. Mais ainda: ele é a Palavra, o Verbo de Deus. Leia Jo 1,1.14.

èNo Evangelho, a barca muitas vezes simboliza a Igreja. Em que barca o Senhor entra? Releia o v. 3. Eis: é na barca de Pedro, isto é, na Igreja católica, que podemos encontrar verdadeiramente o Senhor! Aqui não se tratam de emoções, achismos ou sentimentos. Cristo fundou uma só Igreja e a entregou a Pedro e aos Doze com seus respectivos sucessores, o Papa e os Bispos em comunhão com ele! Note que é da barca, isto é, da Igreja, que Jesus ensina às multidões – é uma bela e profunda imagem!

èReleia no v. 4 a palavra de Jesus a Simão Pedro: “Avança para as águas mais profundas, e lançai as vossas redes para a pesca”. Este é desafio, o mandamento que o Senhor Jesus continuamente dirige à sua Igreja: ir sempre em frente, ao mar alto do mundo... Compare com a primeira leitura, onde o Senhor pergunta: “Quem irá por nós?”

èNo v. 5 aparece a resposta de Pedro: não é pela lógica humana ou pela força ou pelas possibilidades humanas que a Igreja prossegue na sua missão. É unicamente confiando na palavra do Senhor, que é fiel e que nunca nos abandonará: “Na tua palavra, lançarei as redes!”

èReleia os vv. 6-8: diante do milagre que revela a potência do Senhor, Pedro, como Isaías, sente-se pequeno e indigno: “Afasta-te de mim; sou um pecador!” Mas Jesus confirma o chamado e a missão. Por sua vez, Pedro e os companheiros largam tudo e seguem o Senhor. Leia os vv. 9-11. Nunca deveríamos esquecer: a força da Igreja não está na Igreja, mas no Senhor. É ele quem dirige a pesca, é ele quem enche as redes, é ele quem nos envia em missão, é ele quem nos torna aptos para segui-lo... Também é ele que espera que deixemos tudo, colocando somente nele a nossa confiança!



Escrito por Dom Henrique às 00h19
[] [envie esta mensagem] []


 
   O mistério da morte

Da Constituição Pastoral Gaudium et spes sobre a Igreja no mundo de hoje, do Concílio Vaticano II:

Em face da morte, o enigma da condição humana atinge o seu ponto máximo. O homem não apenas é atormentado com a dor e o progressivo declínio do corpo, mas com muito maior força pelo temor da destruição perpétua (Observação minha: Pense bem, meu caro Leitor: a morte não é um fenômeno meramente físico. O homem não morre como morre um animal qualquer. Entre nossa dimensão física e a nossa realidade espiritual existe como que um descompasso tremendo: enquanto na nossa dimensão física temos tanto dos outros animais e até mesmo um tempo de vida relativamente breve, nossa realidade anímica, espiritual, é profunda, é sedenta, grita por eternidade, e faz também nosso corpo gritar, pois, conscientemente, vamos desejando a vida. A morte coloca o homem gravemente em crise, pois da resposta que se dê à interrogação suscitada pela sua realidade, vai depender o nosso modo de encarar a vida e o próprio homem. A morte coloca em xeque o que somos, o sentido da nossa existência e da própria história humana, a morte coloca em xeque o que sonhamos, o que amamos, o que construímos. Em última análise, a morte nos coloca diante perguntas fundamentais: Quem somos? Qual o sentido da nossa existência? Qual o destino de nosso caminho no ser? Eis questões que o homem nunca poderá sufocar e das quais não poderá jamais eximir-se..).

Pelo acertado instinto de seu coração, afasta com horror e rejeita a idéia da total ruína e da morte definitiva de sua pessoa. A semente de eternidade que traz em si, irredutível à pura matéria, insurge-se contra a morte (Observação minha: O Salmista dizia: “A minha tem sede de vós, minha carne também vos deseja”. Realmente, o homem anseia pela vida, o homem não pode ser reduzido à pura matéria. O materialismo é desumano e é tolo, pois ignora solenemente a dimensão mais fundamental do ser humano. Por ser consciente de si mesmo, por saber que existe e poder apreciar, saborear a própria existência, o homem rejeita a morte como destruição de sua pessoa, como queda no nada. Isto lhe é totalmente absurdo. Esta percepção que o ser humano tem como que instintivamente aí foi colocada pelo próprio Deus. Nada menos que o Infinito, que a Vida plena sacia o coração humano!).

Todas as conquistas da técnica, por mais úteis que sejam, não conseguem

acalmar a angústia humana, pois o prolongamento biológico da vida não pode satisfazer o desejo inelutavelmente presente em seu coração de viver sempre (Observação minha: Eis aqui uma afirmação que merece uma séria ponderação. A vida que o ser humano almeja não é simplesmente um prolongamento cronológico de sua existência. A vida tal como desejamos significa felicidade, um tomar posse da própria existência, conferindo-lhe uma direção e um sentido. Somente uma vida assim vivida é verdadeiramente humana e digna do homem. Sem este “ter a vida nas próprias mãos” o homem apenas sobrevive, deslizando na superficialidade e na insensatez de uma existência vazia. Ora, nem toda a tecnologia do mundo pode dar um grão, um milímetro de sentido à existência. Pelo contrário, pode contribuir para uma dispersão do coração e um esvaziamento pela perda de vista do essencial. Aliás, esta é uma das doenças do nosso mundo: com tanta informação, com tantos brinquedinhos tecnológicos, vamos perdendo a capacidade de estar conosco mesmos e de nos deter no essencial. Pior ainda: vamos perdendo a capacidade até mesmo de nos perguntar pelo essencial. De homo sapiens vamos nos reduzindo a homem que curte, que sobrevive, quase um animal técnico, simples e pobres homo fabens!)

Já que diante da morte toda imaginação fracassa, a Igreja, instruída pela Revelação, afirma ter sido o homem criado por Deus para uma finalidade feliz, para além dos limites da miséria terrena. (Observação minha: Somente a inteligência humana, entregue às próprias forças e limites, não poderá jamais esclarecer o após a morte. É inútil tentar descrever o Além. Por isso mesmo, que ninguém se impressione com pessoas que estiveram em coma profundo e depois retornaram afirmando que viram e experimentaram o Outro Lado. Nada disso: essas pessoas não morreram, não foram para o Outro Lado. Tiveram, sim, uma experiência de quase morte. Nestes casos, o inconsciente cria uma realidade virtual, paralela, com conteúdos de beleza e consolo, de extrema paz e alegria e tudo isto a partir das crenças, imagens e conteúdos que cada pessoa tenha. Realmente é uma experiência consoladora, até mesmo porque nos mostra que a morte pode ser vivida como um momento de paz e entrada na plenitude. Mas, repito, toda essa experiência acontece neste mundo e não no outro). E não só, mas a fé cristã ensina que a morte corporal, que lhe seria poupada se não houvesse pecado, será vencida quando o homem recuperar a salvação, perdida por culpa sua, pelo onipotente e compadecido Salvador (Observação minha: Ao afirmar que se o homem não houvesse pecado não experimentaria a morte corporal, o Concílio não entende manifestar-se sobre a historicidade da narrativa do pecado original tal como se encontra nos primeiros capítulos do Gênesis. Simplesmente quer dizer que a experiência de destruição do nosso corpo tal qual a experimentamos está ligada misteriosamente ao pecado. Em outras palavras: sem o pecado a morte não teria essa cara e esses efeitos que tem na humanidade concreta, tal qual a conhecemos). Com efeito, Deus chamou e continua a chamar o homem a aderir com sua natureza integral à perpétua comunhão na incorruptível vida divina. Cristo conseguiu esta vitória, libertando o homem da morte por meio de sua morte e ressurgindo para a vida (Observação minha: Afirmar que Deus continua chamando o homem a aderir com sua natureza integral à comunhão com ele, é afirmar que mesmo com o pecado, Deus continua a sustentar o homem na vida e o chama à eternidade. Por isso mesmo, nem a morte pode destruir o homem e nem mesmo no inferno o homem deixará de existir: também lá, mesmo na danação, ele continuará vivo, existindo, porque Deus o continua chamando para a vida. E aqui, precisamente, está a tremenda miséria do inferno: chamado para a vida, o homem escolheu a morte e vive uma vida de morte). Para quem reflete, a fé baseada em sólidos argumentos oferece uma resposta a sua ansiedade sobre a sorte futura. Ao mesmo tempo dá a possibilidade de comunicar-se com os caros irmãos já arrebatados pela morte em Cristo, despertando a esperança de possuírem eles, desde agora, a verdadeira vida junto de Deus (Observação minha: Aqui, duas afirmações importantes: (1) A razão humano pode alcançar que o homem não foi feito para a morte e, portanto, deve existir algo mais, ainda que este algo mais somente seja esclarecido pela revelação divina; (2) A morte não interrompe nossa comunhão com os que partiram: na comunhão dos santos, pela oração, nós permanecemos unidos uns aos outros no único Corpo de Cristo, que é a Igreja, seja na terra seja nos céus).

Certamente incumbe ao cristão o dever urgente de lutar contra o mal através de muitas tribulações e de aceitar a morte; mas unido ao mistério pascal, configurado à morte de Cristo, firme na esperança, chegará à ressurreição (Observação minha: Nunca esqueçamos que a fé cristã não é uma religião pessimista ou sombria. Nossa esperança é a vida que nos é dada na ressurreição, e somente somos cristãos porque o Senhor Jesus ressuscitou e nos garante que, unidos a ele, venceremos a morte e entraremos na sua vida).

 



Escrito por Dom Henrique às 16h09
[] [envie esta mensagem] []


 
   Notas sobre o Reino de Deus

Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos (Mc 4,26-34)

Naquele tempo, 26Jesus disse à multidão: “O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. 27Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece.

28A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. 29Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou”.

30E Jesus continuou: “Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? 31O Reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. 32Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra”.

33Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. 34E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo.

 

Não posso deixar de tecer alguns comentários sobre este evangelho de hoje. É muito forte, muito profundo, muito atual para deixá-lo sem algumas observações!

Jesus aqui fala sobre o Reino. Em vários escritos meus já expliquei o sentido desse Reino que o nosso Salvador anunciou e inaugurou com sua pregação, paixão, morte e ressurreição. Um Reino de Deus não é um lugar, não é uma situação sócio-econômica ideal, não é a sociedade socialista, não é um sistema. O Reinado de Deus é a manifestação do senhorio do Deus de Israel, agora revelado como Pai, o Pai de Jesus. Para deixar bem claro: Cristo veio anunciar a realizar o seguinte: O Deus Santo de Israel não se esqueceu do seu povo nem da humanidade. Ele é Pai, o meu Pai. Todo aquele que crê em mim e unido ao Messias, recebendo o meu Espírito de Filho, deixar como eu deixo que o Pai reine em sua vida, toda aquele que deixar o reinado do Pai invadir a sua existência, entra no Reinado de Deus-Pai e recebe e experimenta a vida, vida divina, vida eterna, já nesta vida e, um dia, de modo pleno, por toda a eternidade. Mas, para isso, é necessário, converter-se, isto é, deixar-se, abrir-se, para que o Pai entre na vida com sua vontade e seu amor exigente. O modelo, a medida, a manifestação e a causa desse Reinado é o próprio Filho Jesus, que deixou o Reinado do Pai transparecer totalmente na sua vida humana.

Note, portanto, que o Reino pode acontecer em nós, dentro de nós, na nossa vida, cada vez que deixamos o Pai de Jesus reinar, como Jesus deixou. Assim, o Reino é dinâmico: pode crescer e pode morrer na minha vida. Mais uma coisa: através de cada um que se abre para este Reinado, o Reinado de Deus torna-se presente no mundo e nas estruturas. Então, o Reino estar presente ou não no meu ambiente, depende de mim, de ele estar presente na minha vida, quando eu evito o pecado e acolho a santa vontade de Deus.

Dito isto, vamos ao evangelho acima. Nosso Senhor fala daqueles que anunciam o Reino com sua vida e sua palavra – e esta é a missão da Igreja, dos cristãos. Observe que não somos nós, não são os pastoralistas, os padres cantores, os padres de mil piruetas e trejeitos, que fazem o Reino crescer... Não são nossos projetos mirabolantes de pastoral: “Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece”. O Reino tem as dinâmica própria, que é o Espírito Santo de Jesus; é ele quem toca os corações, quem sustenta a fé, quem faz o Reino crescer. É preciso deixar de lado a ideia maluca de que somente é Igreja quem é conhecido pelos padres, quem faz parte de alguma pastoral ou movimento... Não somos nós que temos a lista dos cristãos verdadeiros, não somos nós com nossas piruetas que mantemos as pessoas unidas ao Cristo. É o Espírito Santo, autor de toda graça – e só ele! A nós compete anunciar com fervor, coerência e unção o santo Evangelho... O resto é obra de Deus: é só ele quem faz crescer! Cristão verdadeiro não é quem é amigo de padre, mas quem é amigo de Cristo escutando sua Palavra, sendo fiel à sua Igreja, participando dos seus sacramentos e vivendo a vida na sua santa vontade. E aí, então, a terra do coração vai produzindo (sem nem os bispos ou os padres saberem como) as folhas, a espiga e o fruto, segundo os tempos e os modos de Deus!

Aí, sim, esse Reino que parece tão frágil e pequeno como o grão de mostarda, tão imperceptível, torna-se grande – não da grandeza e proeza pastoral do bispo ou do padre, mas unicamente do poder de Deus em Cristo!

Quando compreenderemos? Quando creremos nisto de verdade? Quando aprenderemos que a Igreja não é nossa, mas dele, do Senhor? Quando veremos que só o Senhor sabe quem são os seus e que a nós cabe simplesmente sermos administradores fieis da graça que o Filho eterno nos trouxe no seu Santo Espírito?

Senhor, venha o teu Reino! Venha agora, no nosso coração e, através de nós, que ele manifeste seus raios na escuridão deste mundo, até que, passando este tempo, apareça claramente o teu reinado na eternidade da glória. Vo-lo pedimos pelo teu bendito Filho Jesus na unidade do Santo Espírito. Amém.

 

 



Escrito por Dom Henrique às 00h43
[] [envie esta mensagem] []


 
   Palavra de Deus para o IV Domingo Comum - C

Leitura do Livro do Profeta Jeremias (Jr 1,4-5.17-19)

Nos dias de Josias, rei de Judá, 4foi-me dirigida a palavra do Senhor, dizendo: 5“Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; antes de saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei e te fiz profeta das nações. 17Vamos, põe a roupa e o cinto, levanta-te e comunica-lhes tudo que eu te mandar dizer: não tenhas medo, senão eu te farei tremer na presença deles.

18Com efeito, eu te transformarei hoje numa cidade fortificada, numa coluna de ferro, num muro de bronze contra todo o mundo, frente aos reis de Judá e seus príncipes, aos sacerdotes e ao povo da terra; 19eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para defender-te”, diz o Senhor.

 

Salmo responsorial (Sl 70)

Minha boca anunciará todos os dias

vossas graças incontáveis, ó Senhor!

 

Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor:

que eu não seja envergonhado para sempre!

Porque sois justo, defendei-me e libertai-me!

Escutai a minha voz, vinde salvar-me!

 

Sede uma rocha protetora para mim,

um abrigo bem seguro que me salve!

Porque sois a minha força e meu amparo,

o meu refúgio, proteção e segurança!

Libertai-me, ó meu Deus, das mãos do ímpio.

 

Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança,

em vós confio desde a minha juventude!

Sois meu apoio desde antes que eu nascesse,

desde o seio maternal, o meu amparo.

 

Minha boca anunciará todos os dias

vossa justiça e vossas graças incontáveis.

Vós me ensinastes desde a minha juventude,

e até hoje canto as vossas maravilhas.

 

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (1Cor 12,31—13,13)

Irmãos: 31Aspirai aos dons mais elevados. Eu vou ainda mostrar-vos um caminho incomparavelmente superior. 13,1Se eu falasse todas as línguas, as dos homens e as dos anjos, mas não tivesse caridade, eu seria como um bronze que soa ou um címbalo que retine.

2Se eu tivesse o dom da profecia, se conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, se tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, mas se não tivesse caridade, eu não seria nada.

3Se eu gastasse todos os meus bens para sustento dos pobres, se entregasse o meu corpo às chamas, mas não tivesse caridade, isso de nada me serviria.

4A caridade é paciente, é benigna; não é invejosa, não é vaidosa, não se ensoberbece; 5não faz nada de inconveniente, não é interesseira, não se encoleriza, não guarda rancor; 6não se alegra com a iniquidade, mas se regozija com a verdade. 7Suporta tudo, crê tudo, espera tudo, desculpa tudo.

8A caridade não acabará nunca. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência desaparecerá.

9Com efeito, o nosso conhecimento é limitado e a nossa profecia é imperfeita. 10Mas, quando vier o que é perfeito, desaparecerá o que é imperfeito.

11Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Quando me tornei adulto, rejeitei o que era próprio de criança.

12Agora nós vemos num espelho, confusamente, mas, então, veremos face a face. Agora conheço apenas de modo imperfeito, mas, então, conhecerei como sou conhecido. 13Atualmente, permanecem estas três coisas: fé, esperança, caridade. Mas a maior delas é a caridade.

 

Aleluia, aleluia, aleluia (Lc 4,18)

Eu te louvo, ó Pai Santo, Deus do céu, Senhor da terra:

Os mistérios do teu Reino aos pequenos, Pai, revelas!

 

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (Lc 4,21-30)

Naquele tempo, estando Jesus na sinagoga, começou a dizer: 21“Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. 22Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: “Não é este o filho de José?”

23Jesus, porém, disse: “Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum”. 24E acrescentou: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. 25De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. 26No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia. 27E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio”.

28Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. 29Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até ao alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. 30Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.

 



Escrito por Dom Henrique às 22h11
[] [envie esta mensagem] []


 
   Roteiro bíblico-catequético para o IV Domingo Comum - C

1. Estudo para a primeira leitura:

è Este texto narra a vocação de Jeremias para a missão profética. Na verdade, aparece aqui algo que deveria nos impressionar: o Deus infinito, o Deus santo, aquele que o céu e a terra não podem conter, é capaz de dirigir sua palavra aos homens, a cada um de nós. Isto mesmo: Deus nos fala, Deus nos interpela, chama-nos! Ele vem ao nosso encontro na nossa vida, no tempo e no espaço em que vivemos. Observe como inicia o relato da vocação de Jeremias: “Nos dias de Josias, rei de Judá, foi-me dirigida a palavra do Senhor...” A eternidade entra no tempo!

è Pense um pouco: você sabe escutar os apelos de Deus? Sabe reconhecer a palavra que tantas vezes ele lhe dirige seja na escuta da Escritura, seja num acontecimento, numa inspiração interior, na palavra de alguém?

è Veja alguns exemplos de resposta ao chamado do Senhor: a teimosia de Moisés (cf. Ex 3,1 – 4,17), a docilidade inocente de Samuel (cf. 1Sm 3,1-10), a disposição de Isaías (cf. Is 6,1-8), a timidez insegura de Jeremias (cf. Jr 1,1-10). Observe que quando o Senhor chama, somente respondendo-lhe sim teremos paz!

è Pense um pouco: o Senhor nos conhece e nos chama pelo nome: para ele, desde o ventre materno nós somos amados e conhecidos, temos um nome. Leia o Sl 138/139. Eis por que para um cristão o aborto é inaceitável, é um crime mortal, pois se trata de truncar uma vida querida e amada por Deus. A desculpa esfarrapada do Governo brasileiro para aprovar o aborto é imoral! O Presidente da República e seu Ministro da Saúde afirmam que o aborto é uma questão de saúde pública... Assusta a visão imoral e rasa de homens assim! Viemos ao mundo com um propósito. Qual o propósito da sua vida?

èReleia os vv. 17-19: o Senhor promete ser a força e o amparo do seu profeta, desde que ele realmente confie no Senhor. Nunca esqueça: os verdadeiros profetas encontram sua força no Senhor e não em si próprios; eles são enviados pelo Senhor e não por si mesmos; falam as palavras do Senhor e não as próprias ideias! Veja a disputa entre um verdadeiro e um falso profeta em Jr 28.

è Reze o Salmo responsorial: é o salmo do profeta angustiado no cumprimento de sua missão.

 

2. Estudo da segunda leitura:

è Recorde um pouco a primeira leitura do Domingo passado: somos o corpo de Cristo, um corpo único com vários membros de funções diversas: os membros mais humildes devem ser os mais cuidados. Assim, na Igreja corpo de Cristo o Espírito Santo suscita vários carismas e ministérios.

è A leitura de hoje continua o pensamento do Domingo anterior. Agora, o Apóstolo exorta os coríntios a que procurem os dons mais altos, e indica o maior de todos os dons: o amor. Não se trata aqui de um amor qualquer, mas do “ágape”, isto é, do próprio amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (cf .Rm 5,5). Se desejar aprofundar este conceito do amor cristão, leia a estupenda Encíclica “Deus caritas est”, do Papa Bento XVI. Nunca esqueça: o amor de que fala a Escritura não é simples Eros (amor de paixão) ou filia (amor de amizade, de dar e receber), mas é ágape (amor oblativo, dileção, que se dá sem nada esperar em troca e encontra sua alegria e recompensa em amar). Este amor é fruto da ação do próprio Espírito Santo de amor em nós.

è Uma observação: o v. 2 desmoraliza a doutrina protestante de que só a fé salva, sem as obras. Releia o versículo. Leia também Mt 25.

è Releia o v. 8. Por que a caridade (= ágape) jamais passará? Porque ela é a essência do próprio Deus: a fé e a esperança nos jogam nos braços de Deus (crer em Deus, esperar em Deus), mas a caridade não só nos joga em Deus, mas é a essência mesma da vida divina: o céu é mergulho da Caridade eterna, que é o Deus uno e trino.

è Agora releia e procure compreender os vv. 11-13. São Paulo quer dizer: quando eu era criança na fé, ainda imaturo, sem a caridade madura, eu agia como criança imatura. O cristão deve crescer na caridade, ser maduro no amor, assim conhecerá a Deus, que é amor. No céu, no amor perfeito, conheceremos a Deus perfeitamente. Agora, conhecemos como a visão nossa num espelho. Recorde que no tempo de São Paulo não havia espelhos polidos como os nossos: a imagem era muito distorcida e imprecisa... Hoje vemos assim; no céu, mergulhados no oceano do Deus-amor, veremos como somos vistos: na plenitude do amor!

 

3. Estudo do Evangelho:

è O texto evangélico de hoje continua aquele de Domingo passado, quando Jesus nosso Senhor leu o texto de Is 61 na sinagoga de Nazaré e proclamou: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. Com isto ele se proclamava o Messias anunciado nas profecias de Israel.

è Qual a primeira reação dos nazarenos? Leia o v. 22a. Note que os nazarenos admiram e ficam maravilhados. E depois, qual a reação? Leia o v. 22b. A descrença: é o filho de José, nós o conhecemos bem, não pode ser o Messias!

èReleia os vv. 23-27. Aí Jesus faz duas afirmações duras: (1) ele não fará milagre algum em Nazaré porque seus concidadãos não creem nele (vv. 23-24); (2) os nazarenos não merecem milagres, pois são piores que os pagãos: no tempo de Elias foi uma viúva pagã quem mereceu a visita do profeta (cf. 1Rs 17,1-24)e no tempo de Eliseu foi um general pagão quem mereceu ser curado (cf. 2Rs 5,1-14). Conclusão: os pagãos são melhores que os nazarenos! Por isso o ódio a Jesus, a ponto de expulsá-lo da sinagoga!



Escrito por Dom Henrique às 22h10
[] [envie esta mensagem] []


 
   Um Deus que cumpre o que promete

Leitura do Segundo Livro de Samuel (2Sm 7,4-17)

Naqueles dias, 4a palavra do Senhor foi dirigida a Natã nestes termos: 5“Vai dizer a meu servo Davi: ‘Assim fala o Senhor: Porventura és tu que me construirás uma casa para eu habitar? 6Pois eu nunca morei numa casa, desde que tirei do Egito os filhos de Israel, até o dia de hoje, mas tenho vagueado em tendas e abrigos. 7Por todos os lugares onde andei com os filhos de Israel, disse, porventura, a algum dos chefes de Israel, que encarreguei de apascentar o meu povo: Por que não me edificastes uma casa de cedro?”

8Dirás pois, agora, a meu servo Davi: Assim fala o Senhor todo-poderoso: Fui eu que te tirei do pastoreio, do meio das ovelhas, para que fosses o chefe do meu povo, Israel. 9Estive contigo em toda parte por onde andaste, e exterminei diante de ti todos os teus inimigos, fazendo o teu nome tão célebre quanto o dos homens mais famosos da terra. 10Vou preparar um lugar para meu povo, Israel: e o implantarei, de modo que possa morar lá sem jamais ser inquietado.

Os homens violentos não tornarão a oprimi-lo como outrora, 11no tempo em que eu estabelecia juízes sobre o meu povo, Israel. Concedo-te uma vida tranquila, livrando-te de todos os teus inimigos. E o Senhor te anuncia que te fará uma casa. 12Quando chegar o fim dos teus dias e repousares com teus pais, então, suscitarei, depois de ti, um filho teu, e confirmarei para sempre a sua realeza. 13Será ele que construirá uma casa para meu nome, e eu firmarei para sempre o seu trono real. 14Eu serei para ele um pai e ele será para mim um filho. Se ele proceder mal, eu o castigarei com vara de homens e com golpes dos filhos dos homens.

15Mas não retirarei dele a minha graça, como a retirei de Saul, a quem expulsei da minha presença. Tua casa e teu reino serão estáveis para sempre diante de mim, e teu trono será firme para sempre”. Natã comunicou a Davi todas essas palavras e toda essa revelação.

 

Eis um dos belos textos do Antigo Testamento! Davi havia planejado construir uma Casa, um Templo para o Senhor Deus. Muitos estudiosos, cheios de pensamentos humanos e com poucos pensamentos espirituais, afirmam logo que se trata de um genial golpe político de Davi: construindo um templo em Jerusalém, sua capital real, ele une seu trono ao trono de Deus e faz com que todo o povo venha a Jerusalém e reforce suas ligações com a monarquia.

Pode até ser que Davi tenha pensado nisto... Não sabemos; ninguém pode saber... Mas, uma coisa é certa: Davi era um fiel devoto e amava o Senhor Deus de todo o coração. Seu desejo era genuína e fundamentalmente religioso.

Qual a resposta do Senhor a tamanha generosidade e devoção? Primeiramente, deixa claro que é um Deus livre: casa alguma, templo algum poderá prendê-lo! Ele é um Deus que ama o deserto, aprecia as tendas... Um Deus livre, que não se deixa capturar, subornar ou manipular por nada nem ninguém... O nosso Deus só se deixa prender pelo amor, pelo coração que a ele se entrega com sinceridade.

Depois, avisa a Davi que ele, o Senhor, é que lhe fará uma Casa: não a casa-templo, mas a casa-dinastia. Ao generoso ato de Davi, o Senhor responde com outro gesto ainda mais generoso: promete ao rei que jamais sua casa real deixará de reinar em Israel!

Eis! De um ato de amor de Davi, nasce como resposta, um ato de amor de Deus! A partir de agora, a Casa de Davi estará para sempre ligada à esperança de Israel, pois o Messias deveria nascer dessa Casa real. E quando após a volta do Exílio de Babilônia já não mais houver rei em Israel e parecer que Deus falhou na as promessa, o Senhor surpreendeu o seu povo e, cerca de quatrocentos anos após, enviou o Rei-Messias, descendente de Davi, cujo reino não terá fim! Só em Jesus a promessa do Senhor a Davi encontra cumprimento e realização plena. Sem Jesus, essa promessa cai no vazio...

Aprendamos: Deus sabe recompensar cada gesto de amor que lhe façamos. Como dizia Santa Teresa d’Ávila, “sua Majestade é bom pagador”. Mas, o modo como Deus conduz a história, o modo como nos paga, nos ultrapassa, nos coloca à prova e nos desconcerta e, no entanto, sempre ultrapassa as nossas expectativas... Davi jamais pensou que um seu descendente seria o Messias e que esse Messias seria Deus verdadeiro, cujo reino é eterno e universal e jamais terá fim!

É assim: Deus quando promete não trai jamais!

 

 



Escrito por Dom Henrique às 00h35
[] [envie esta mensagem] []


 
   Rezar para recebê-lo

Da Carta a Proba, de Santo Agostinho (354-430), bispo e doutor da Igreja:

Para que serve dispersarmo-nos em todas as direções e procurarmos o que devemos pedir na oração? Digamos antes com o salmo: «Uma só coisa peço ao Senhor, aquilo que procuro é habitar a casa do Senhor todos os dias da minha vida, para saborear a doçura do Senhor e frequentar o Seu templo» (Sl 26,4). De fato, aí «todos os dias» não passam nascendo e desaparecendo, e um não começa quando o outro acaba; eles existem todos juntos, não têm fim, pois a própria vida, da qual são os dias, não tem fim.

Para obtermos esta vida feliz, Aquele que é em pessoa a verdadeira Vida ensinou-nos a rezar. Não com uma série de palavras, como se devêssemos ficar satisfeitos com a nossa conversa; de fato, como o próprio Senhor diz, nós rezamos Àquele que sabe do que necessitamos mesmo antes de Lho pedirmos (Mt 6,8).

Ele sabe do que necessitamos mesmo antes do Lho pedirmos? Então por que nos exorta continuamente à oração? (Lc 18,1) Podemos admirar-nos com isso, mas devemos compreender que Deus nosso Senhor não quer ser informado dos nossos desejos, que não pode ignorar. Mas Ele quer que os nossos desejos sejam excitados pela oração, para que sejamos capazes de acolher aquilo que Ele se dispõe a dar-nos. Pois isso é muito grande, enquanto nós somos pequenos e de capacidade pobre! É por isso que nos dizem: «Abri completamente os vossos corações» (2Cor 6,13). É algo de muito grande: e seremos tanto mais capazes de recebê-lO, com quanto mais fé crermos, com quanto mais segurança esperarmos, com quanto mais ardor desejarmos. É, portanto, na fé, na esperança e no amor, pela continuação do desejo, que rezamos continuamente.

 

 



Escrito por Dom Henrique às 03h39
[] [envie esta mensagem] []


 
   Ontem como hoje: o essencial!

Caro Internauta, aqui vai uma parte das palavras do Santo Padre Bento XVI na sua catequese nesta quarta-feira. Devem nos fazer pensar...

Hoje, eu gostaria de apresentar-vos a figura de Francisco, um autêntico “gigante” da santidade, que continua fascinando muitíssimas pessoas de todas as idades e religiões.

“Nasceu para o mundo um sol”: com estas palavras, na “Divina Comédia” (Paraíso, Canto XI), o máximo poeta italiano Dante Alighieri alude ao nascimento de Francisco, no final de 1181 ou início de 1182, em Assis. Pertencente a uma família rica – seu pai era comerciante de tecidos –, Francisco transcorreu uma adolescência e uma juventude despreocupadas, cultivando os ideais de cavalaria da época.

Aos 20 anos, fez parte de uma campanha militar e foi preso. Ficou doente e foi libertado. Após sua volta a Assis, começou nele um lento processo de conversão espiritual, que o levou a abandonar gradualmente o estilo de vida mundano que havia levado até então. A este período correspondem os célebres episódios do encontro com o leproso, a quem Francisco, descendo do cavalo, deu o beijo da paz, e da mensagem do Crucificado na pequena igreja de São Damião. Em três ocasiões, o Cristo na cruz adquiriu vida e lhe disse: “Vai, Francisco, e repara minha Igreja, que está em ruínas”. Este simples acontecimento da palavra do Senhor ouvida na igreja de São Damião esconde um simbolismo profundo. Imediatamente, São Francisco foi chamado a reparar esta pequena igreja, mas o estado ruinoso deste edifício era o símbolo da situação dramática e inquietante da própria Igreja nessa época, com uma fé superficial que não forma e não transforma a vida, com um clero pouco zeloso, com o esfriamento do amor; uma destruição interior da Igreja que comportou também uma decomposição da unidade, com o nascimento de movimentos heréticos.

Contudo, nessa Igreja em ruínas, o Crucifixo está no centro e fala: convida à renovação, chama Francisco a um trabalho manual para reparar concretamente a pequena igreja de São Damião, símbolo do chamado mais profundo a renovar a própria Igreja de Cristo, com sua radicalidade de fé e com seu entusiasmo de amor por Cristo.

Este acontecimento, ocorrido provavelmente em 1205, faz pensar em outro acontecimento similar, ocorrido em 1207: o sonho do Papa Inocêncio III. Este viu em sonhos que a Basílica de São João de Latrão, a igreja mãe de todas as igrejas, estava desmoronando e que um religioso pequeno e insignificante a escorava com os ombros, para que não caísse. É interessante notar, por um lado, que não é o Papa quem ajuda para que a Igreja não caia, mas um religioso pequeno e insignificante, que o Papa reconhece em Francisco quando este o visita. Inocêncio III era um papa poderoso, de grande cultura teológica, como também de grande poder político e, no entanto, não é ele quem renova a Igreja, e sim um pequeno e insignificante religioso: é São Francisco, chamado por Deus.

Por outro lado, no entanto, é importante observar que São Francisco não renova a Igreja sem ou contra o Papa, mas em comunhão com ele. As duas realidades estão juntas: o Sucessor de Pedro, os bispos, a Igreja fundada sobre a sucessão dos apóstolos e o carisma novo que o Espírito Santo cria nesse momento para renovar a Igreja. Na comunhão se dá a verdadeira renovação...

 

Observação minha:

Pense bem nas palavras do Santo Padre para descrever a situação da Santa Igreja no século XIII: “...situação dramática e inquietante da própria Igreja nessa época, com uma fé superficial que não forma e não transforma a vida, com um clero pouco zeloso, com o esfriamento do amor; uma destruição interior da Igreja que comportou também uma decomposição da unidade, com o nascimento de movimentos heréticos”. Pense na Igreja atual: fé superficial, que não transforma a vida, clero pouco zeloso, esfriamento do amor, destruição interior da Igreja...

Ainda a ideia do Santo Padre: no centro daquela Igreja em crise, um Crucifixo e um pobre homem piedoso, que desejava viver o Evangelho na sua simplicidade, sem grandes explicações teológicas, filosóficas, sociológicas, psicológicas politicamente corretas... Não tenho como não pensar em tantos jovens loucos de tantas comunidades de vida, em tantos leigos e jovens religiosos que desejam simplesmente ser cristãos católicos, apaixonados por Cristo e plenamente amorosos para com sua Igreja... E não consigo deixar de pensar que são eles que melhor representam o vigor, a força e o frescor do Evangelho de Cristo e da fé católica...

Ainda um último aspecto a ser ressaltado aqui: Francisco não é Lutero! Francisco é humilde e pobre e não se julga melhor ou mais santo que ninguém: ele reforma a Igreja como somente os santos sabem fazê-lo: pela santidade! Reforma a Igreja em comunhão com o Papa, Sucessor de Pedro, a quem Cristo colocou à frente de seus discípulos. E hoje, quando se veem tantos profetas de profecias falsas e teólogos de teologia ruim que se julgam acima da Igreja e mais sábios que a Igreja; quando se leem tantos livros escritos por “doutores”católicos” que de católicos pouco ou nada têm, achando que podem reformar a Igreja segundo o projeto de sua própria loucura. São esses os que falam em “Igreja do meu sonho” e se perguntam, presunçosamente: “Que Igreja queremos construir?” Mas, a Igreja verdadeira não é a dos nossos sonhos, mas a dos sonhos de Cristo e não somos nós que a construímos, mas sim o Cristo, que a edificou de uma vez por todas com o seu sangue. O resto é bobagem humana e presunção, é teologia oca e cacoete de moda, moda de momento...

Precisamos sim, de santos, como Francisco e de papas como Inocêncio III, que soube reconhecer em Francisco um instrumento de Deus e como Bento XVI, que tem sempre diante dos olhos o Cristo crucificado e ressuscitado, único essencial...

 

 



Escrito por Dom Henrique às 02h36
[] [envie esta mensagem] []


 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]  
 
 
HISTÓRICO


CATEGORIAS
Todas as mensagens
 Análises
 Fatos
 Meditações
 Teologia



OUTROS SITES
 Meu site
 Vaticano
 Zenit
 Revista 30 Dias
 Padre Paulo Ricardo
 Pergunte e Responderemos
 Salvem a Liturgia